
Imagens registradas por moradores da comunidade Zincão, no Parque da Liberdade, em Americana, mostram o momento em que um homem aparece sendo chutado, cai no chão e recebe spray de pimenta durante uma operação da Polícia Militar, na noite de domingo (16).
De acordo com o boletim de ocorrência, a chamada “Operação Pronta Resposta” foi deflagrada após uma abordagem realizada no sábado (15), quando um homem teria fugido e levado um par de algemas da PM (Polícia Militar). Uma moradora afirmou que, durante essa ação, uma adolescente teria sido atingida por uma bala de borracha.
Moradores relatam confronto
Segundo moradores ouvidos pela TV TODODIA, durante todo o domingo foram realizadas blitzes e veículos foram apreendidos. Uma moradora relatou que a situação entre a comunidade e os policiais ficou mais tensa quando um rapaz foi impedido pelos agentes de abrir uma adega. “Aí, quando foi a noite, o menino abriu a adega e eles não aceitaram, falaram que não, que não era pra abrir nada, que não era pra ter nenhum comércio aberto. Só que, porém, a gente foi falar que não, né? O moço foi falar com o policial que não é justo, a gente não poder viver trancafiado dentro de casa por causa de uma pessoa”.
Policiais apresentam outra versão
De acordo com a versão apresentada pelos policiais, o tumulto começou durante uma abordagem, quando moradores passaram a proferir xingamentos contra os agentes. Dois homens, de 35 anos, foram abordados e nada de ilícito foi encontrado com eles. Segundo o boletim de ocorrência, porém, um dos homens teria afirmado: “vocês não pegam ninguém aqui, porque o crime manda”.
Ainda conforme o relato policial, aproximadamente 50 pessoas passaram a se aglomerar e avançar em direção às equipes, enquanto pedras e outros objetos teriam sido arremessados contra os agentes. Com apoio do CFP (Comando de Força Patrulha), da Força Tática, do Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia) e da Rocam (Rondas Ostensivas com Apoio de Motos), foram utilizados uma munição de impacto controlado, uma granada lacrimogênea e outros tipos de munição química.
Crianças foram levadas ao pronto-socorro
Uma moradora também relatou que duas crianças precisaram ser encaminhadas ao hospital após serem expostas às munições químicas. Segundo ela, uma menina de sete meses estava dentro de casa quando a fumaça teria entrado no imóvel, deixando a criança vermelha e com dificuldade para respirar.
Ela foi socorrida por um familiar e levada a uma unidade de saúde. “Duas priminhas minhas foram parar no hospital, uma de sete meses e a outra de três anos. Por irresponsabilidade deles, porque eu acho que não tinha necessidade deles ter tacado tudo aquilo. Eles não tacaram uma bomba de pimenta. Eles tacaram umas quatro, cinco. Jogou pela rua inteira. Tacaram nas portas das casas das pessoas e não queriam nem saber tanto que o cheiro exalou pras duas ruas acima. O povo começou a reclamar que o cheiro já estava lá”.
Homem afirma ter sido agredido
No momento da abordagem registrado pelos moradores, os policiais afirmaram que um dos homens teria resistido à detenção e que o uso da força foi necessário e proporcional à resistência apresentada. As câmeras corporais, segundo o registro, teriam sido acionadas somente após os indivíduos já estarem abordados.
O homem conduzido, por outro lado, afirma que estava imobilizado quando recebeu as agressões. Segundo ele, sua cabeça foi projetada contra uma parede, sendo necessário receber três pontos de sutura. Ele também relatou escoriações e dor em um dos dedos.
Abordados foram liberados
Os dois homens foram encaminhados à delegacia após receberem atendimento médico e acabaram liberados. Já o homem que teria fugido durante a abordagem de sábado e levado as algemas da PM ainda não foi localizado.
A TV TODODIA procurou a SSP (Secretaria de Segurança Pública) para esclarecer as circunstâncias da operação. A reportagem aguarda posicionamento.





