
A câmera que registrava o salto de rope jump realizado por Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, que morreu após o incidente, segue desaparecida quatro dias após a ocorrência na Ponte do Esqueleto, em Limeira. Segundo a Polícia Civil, o equipamento ainda não foi localizado.
A informação foi divulgada pela delegada Andréa Dantas Levy durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (15). Maria Eduarda morreu no último sábado (13) após saltar da ponte sem a corda de segurança que deveria estar presa ao seu corpo.
De acordo com a investigação, a jovem utilizava uma câmera GoPro para registrar a atividade, oferecida pela organização para filmar os saltos mediante pagamento adicional.
Mistério
Até o momento, três homens permanecem presos preventivamente. Segundo a Polícia Militar, eles têm 42, 32 e 27 anos. O homem de 32 anos atuava como bombeiro civil e os outros dois auxiliavam na preparação dos saltos.
Eles aparecem nas imagens que circulam nas redes sociais participando do procedimento que antecedeu o salto de Maria Eduarda.
Segundo a delegada, “nem os interrogados souberam dizer onde está essa câmera. Eles afirmaram que não a pegaram”, afirmou.
A Polícia Civil trabalha com a possibilidade de o equipamento ter se desprendido durante a queda e permanecido em uma área de mata próxima à ponte. Outra hipótese investigada é a de que ele tenha sido retirado do local por integrantes da organização.
Negligência
As investigações apontam, inicialmente, que a vítima saltou sem a corda principal que deveria garantir sua segurança.
Segundo a delegada, o protocolo da atividade previa a utilização de duas cordas de proteção.
“No primeiro momento, a corda não foi apreendida porque ela não estava acoplada ao corpo da vítima. Não há necessidade de perícia para verificar uma possível falha ou rompimento, já que o vídeo deixa evidente que a corda sequer foi colocada.”
A principal linha de investigação aponta para uma possível distração da equipe responsável pela operação do salto.
Grupo não possuía empresa formalizada
De acordo com a Polícia Civil, o grupo que promovia os saltos não possuía empresa formalizada, CNPJ ou autorização para realizar a atividade.
Ao todo, seis pessoas seriam responsáveis pela organização do evento. Três foram presas preventivamente e outras três continuam sendo investigadas em liberdade.
Segundo a investigação, cerca de 100 saltos estavam programados para o dia do acidente. Mais de dez participantes já haviam realizado a atividade antes de Maria Eduarda.
Denúncia aponta retirada de identificação após acidente
Conforme revelado pela TV TODODIA, uma testemunha relatou que integrantes da organização teriam omitido socorro e retirado camisetas com identificação do grupo logo após o acidente, passando a impedir filmagens no local. A denúncia também está sendo apurada pela Polícia Civil.
Segundo a delegada, ainda existem versões divergentes sobre o que ocorreu após a queda da vítima.
Jovem ainda apresentava sinais vitais
A delegada Andréa Dantas Levy informou ainda que uma enfermeira que participava da atividade tentou prestar os primeiros socorros.
Segundo a investigação, Maria Eduarda ainda apresentava sinais vitais após atingir o solo, mas morreu antes de ser levada para uma unidade de saúde.
O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionado e constatou parada cardiorrespiratória e o óbito no local.
Prisões foram por homicídio com dolo eventual
Os três presos foram indiciados inicialmente por homicídio doloso na modalidade dolo eventual, quando o autor não deseja diretamente o resultado, mas assume o risco de produzi-lo.
A delegada ressaltou, porém, que a tipificação ainda poderá ser alterada pelo MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) conforme o avanço das investigações.
Segundo ela, o enquadramento mais grave foi adotado diante das circunstâncias do caso e para garantir a manutenção das prisões.
Prefeitura e governo federal divergem sobre responsabilidade
Após o acidente, o prefeito de Limeira, Murilo Félix (Podemos), afirmou à TV TODODIA que a fiscalização, a manutenção e o controle de acesso à Ponte do Esqueleto são de responsabilidade do governo federal e informou que pretende acionar a União na Justiça por suposta omissão em relação à área.
Já a SPU (Secretaria do Patrimônio da União), vinculada ao MGI (Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos), afirmou que nunca autorizou a realização de atividades esportivas no local.
Segundo o órgão, a ponte integra um trecho ferroviário desativado e o processo de incorporação ao patrimônio da União foi concluído apenas em 2026. A SPU também informou que, desde 2024, vinha solicitando apoio de prefeituras da região para restringir o acesso ao local.





