terça-feira, 23 junho 2026
INVESTIGAÇÃO

Família questiona ação policial após laudo sobre morte de empresário em Americana

Laudo necroscópico aponta mecanismo multifatorial e familiares questionam atuação dos agentes.
Por
Cristiani Azanha
Caso ocorreu no dia 17 de fevereiro. Foto: Reprodução/redes sociais
Segundo o advogado da família, existem indícios de que a abordagem policial pode ter ultrapassado os limites necessários para conter a ocorrência. Foto: Arquivo familiar

A família do empresário Rodrigo Witte Alves voltou a cobrar esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte dele, ocorrida em 17 de fevereiro deste ano, durante uma ocorrência policial em uma loja de conveniência, na Rua Sete de Setembro, na Vila Rehder, região central de Americana. Após ter acesso ao laudo necroscópico, os familiares afirmam que o documento reforça a necessidade de aprofundar a investigação sobre a atuação dos policiais envolvidos na abordagem.

Segundo a mãe de Rodrigo, a família busca respostas sobre a dinâmica da ocorrência e espera que todas as circunstâncias da morte sejam esclarecidas pelas autoridades.

Laudo aponta morte multifatorial
De acordo com o laudo necroscópico, Rodrigo havia feito uso recente de cocaína. O exame concluiu que a substância foi um fator relevante e desencadeante para o quadro de agitação extrema apresentado por ele. O documento também destaca que, em situações semelhantes, a associação entre intoxicação por cocaína, contenção física, estresse intenso e utilização de dispositivo incapacitante por descarga elétrica pode potencializar alterações cardiovasculares graves.

Apesar dessas constatações, o laudo conclui que a morte teve mecanismo multifatorial, não sendo possível atribuir o óbito exclusivamente a um único fator, mas sim ao conjunto de circunstâncias ocorridas durante a intervenção policial.

Família aponta excesso
A família afirma que imagens de câmeras de segurança, obtidas pela reportagem, mostram parte da abordagem policial e levantam dúvidas sobre a atuação dos agentes.

Segundo os parentes, Rodrigo teria recebido dois disparos de arma de incapacitação elétrica, e as descargas teriam continuado mesmo após ele já estar contido no chão. Eles também alegam que um dos policiais pisou na cabeça da vítima e questionam o tempo de resposta para o atendimento médico.

O irmão de Rodrigo, que preferiu não ser identificado, afirmou que a família acredita ter havido excesso durante a intervenção policial.

Advogado acompanha apuração
A família contratou o advogado José Carlos Portella Jr. para acompanhar o caso. Segundo ele, existem indícios de que a abordagem policial pode ter ultrapassado os limites necessários para conter a ocorrência.

A defesa informou que vai acompanhar todas as etapas da investigação e pretende solicitar medidas para esclarecer a conduta dos envolvidos.

Polícias apuram o caso
Segundo nota da SSP (Secretaria da Segurança Pública), o caso é investigado por meio de inquérito policial instaurado pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Americana. A autoridade policial informou que já analisou as imagens do local e aguarda a conclusão dos laudos periciais para dar sequência à análise técnica. Paralelamente, a Polícia Militar conduz um IPM (Inquérito Policial Militar) para apurar a atuação dos agentes envolvidos.

A reportagem também procurou a rede de lojas de conveniência e a Ouvidoria das Polícias para comentar o caso e informar se existem procedimentos administrativos em andamento relacionados à ocorrência. Até o fechamento desta edição, não houve retorno.

Enquanto as investigações prosseguem, a família afirma que continuará acompanhando o caso e espera que todas as circunstâncias da morte de Rodrigo Witte Alves sejam devidamente esclarecidas.

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