sexta-feira, 24 julho 2026
CRIME EM 2020

Júri absolve acusado de matar aposentada encontrada morta em terreno baldio em Hortolândia

Réu de 31 anos foi inocentado pelos jurados em segundo julgamento realizado no Fórum de Hortolândia
Por
Cristiani Azanha
Advogado advogado Adrian Piranga afirmou que a absolvição se impôs, após a realização de três sessões. Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

O Tribunal do Júri realizado na quarta-feira (23), no Fórum de Hortolândia, absolveu um homem de 31 anos acusado de matar a aposentada Francisca Soares Lima, de 59 anos. O crime ocorreu em julho de 2020, no Jardim Amanda, e ganhou repercussão pela violência das agressões contra a vítima.

Esta foi a segunda vez que o caso foi submetido ao Tribunal do Júri. Após a votação, o Conselho de Sentença decidiu pela absolvição do réu.

Crime em 2020
Segundo a investigação, o corpo de Francisca Soares Lima foi encontrado na manhã de 26 de julho de 2020 em um terreno baldio na Rua Epitácio Pessoa, no Jardim Amanda.

A aposentada apresentava graves ferimentos na cabeça e no rosto. No local, policiais localizaram pedras com vestígios de sangue, além de um telefone celular e um molho de chaves.

Inicialmente, a vítima não foi identificada. Horas depois, familiares compareceram ao Instituto Médico Legal (IML) e confirmaram sua identidade.

Investigação
As investigações avançaram após uma ocorrência atendida pela PM (Polícia Militar) na madrugada do mesmo dia. Na ocasião, o então suspeito acionou a corporação afirmando que ele e uma mulher haviam sido agredidos por um desconhecido. Durante o atendimento, os policiais constataram que ele apresentava ferimentos na mão e manchas de sangue.

Após a divulgação do homicídio, os militares relacionaram os fatos e retornaram ao endereço do homem. Segundo a investigação, diante de versões contraditórias, ele admitiu ter estado com a vítima pouco antes do crime.

Em depoimento à Polícia Civil durante o inquérito, o acusado afirmou que consumia drogas com Francisca quando os dois discutiram. Segundo sua versão, a vítima sacou um objeto cortante e ele reagiu, derrubando-a e atingindo sua cabeça com um bloco de pedra. Ainda conforme o depoimento, depois do ocorrido ele voltou para casa e acionou a Polícia Militar apresentando uma versão diferente dos fatos.

Novo julgamento
O caso voltou ao Tribunal do Júri após a primeira sessão ser interrompida porque uma das juradas passou mal durante o julgamento. Com isso, o Conselho de Sentença foi dissolvido e um novo júri precisou ser realizado.

Durante o processo, a defesa alegou a existência de nulidades, sustentando que não houve situação de flagrante e que a prisão ocorreu de forma irregular durante o inquérito policial, sendo posteriormente convertida em prisão preventiva. Após a interrupção do primeiro julgamento, o acusado passou a responder ao processo em liberdade.

Na sessão realizada nesta quarta-feira, os jurados decidiram pela absolvição do réu.

Defesa
Em nota, o advogado Adrian Piranga afirmou que a defesa se solidariza com a família da vítima e que atuou para garantir o respeito à legalidade e à busca da verdade real.

Segundo o advogado, o processo apresentou nulidades e abusos, incluindo a suposta inexistência de situação de flagrante, o desaparecimento de objetos apreendidos e a realização da perícia nas roupas do acusado anos após a apreensão, com resultado negativo. Para a defesa, a absolvição decorreu da ausência de provas.

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