
Uma mulher de 23 anos foi presa em flagrante no último dia 12 de julho por tráfico de drogas e por suspeita de submeter a própria filha, uma menina de dois anos e meio, a maus-tratos, no Jardim Amanda, em Hortolândia. A mulher também pode ter sido vítima de violência doméstica.
O caso foi denunciado pelos avós da criança, que acionaram as autoridades após a mãe desaparecer com a filha durante um suposto surto psicótico.
Segundo relato dos avós, a situação da mãe e da filha vinha se agravando nos dias anteriores. No sábado (11), as duas sofreram uma queda de motocicleta, causando ferimentos em ambas e aumentando a preocupação da família.
No mesmo dia, a criança ainda teria sido deixada sozinha em casa, o que levou os avós a acionarem o Conselho Tutelar e obterem um termo de responsabilidade emergencial para permanecerem com a guarda da menina até a segunda-feira (13), quando todos deveriam comparecer à Vara da Infância e Juventude do Fórum de Hortolândia.
No entanto, na manhã de domingo (12), a mãe entrou na casa dos avós sem ser percebida e saiu com a criança, segundo o relato da família. Assim que notaram o desaparecimento da neta, os avós acionaram a Polícia Militar (PM).
PM entrou no caso para localizar a criança
A PM passou a atuar inicialmente para localizar a menina levada pela mãe, em uma ocorrência tratada como possível abandono de incapaz.
O primeiro local vistoriado pelos policiais foi a casa da mulher, localizada a cerca de quatro quarteirões da residência dos avós. No endereço, vizinhos relataram que ela teria se envolvido em uma briga ou apresentado um surto na noite anterior.
Ao entrarem no imóvel, os policiais encontraram indícios de luta, como objetos quebrados, vidros espalhados pelo chão, marcas de sangue, pilhas de roupas sujas, alimentos estragados e até um sapatinho de criança.
Segundo o registro da ocorrência, também havia uma grande quantidade de crack espalhada pelo piso da residência, além de diversas embalagens utilizadas para o armazenamento da droga.
Foram apreendidos 52 gramas de crack e materiais utilizados para embalagem e venda de entorpecentes, principalmente flaconetes plásticos. A maior parte estava em um dos quartos, onde, segundo a polícia, ocorria o fracionamento da droga.
Mãe e filha foram encontradas em avenida
Mãe e filha não estavam na residência. Parte da equipe permaneceu no imóvel para preservar as provas do tráfico de drogas, enquanto outros policiais seguiram para a Avenida Brasil, onde testemunhas informaram ter visto uma mulher em aparente estado de transtorno carregando uma criança no colo.
Nesse momento, a avó conseguiu alcançar a mulher. Ao perceber a chegada dos policiais, ela entregou a criança, que chorava bastante, para a própria mãe e correu para o interior de uma lanchonete próxima, onde foi detida por uma policial militar.
A mulher foi algemada devido ao risco de se ferir, em razão dos relatos de que estaria em surto até pouco antes da abordagem, mas não ofereceu resistência à prisão.

Médico constatou lesões e possível agressão
A mulher foi levada para uma unidade de saúde do bairro, onde um médico de plantão constatou ferimentos compatíveis tanto com a queda de motocicleta quanto com uma possível agressão praticada pelo companheiro. O homem não foi localizado no domingo, mas já havia sido identificado. Ele não é o pai da criança.
Em conversa com os policiais militares, a mulher afirmou que as drogas pertenciam ao companheiro. Ela também informou que faz tratamento psiquiátrico, que sofre surtos e que consome bebidas alcoólicas, mas negou fazer uso de crack.
Ela declarou ainda que desconhecia a guarda emergencial concedida aos pais, que queria permanecer com a filha e que, por esse motivo, retirou a criança da casa dos avós sem autorização. Também afirmou que espalhou as pedras de crack pelo chão durante a briga com o companheiro na noite anterior.
Mulher foi presa em flagrante
A mulher foi encaminhada ao Plantão da Polícia Civil de Hortolândia, onde permaneceu presa em flagrante, sem direito à fiança, por, segundo a polícia, ter conhecimento do tráfico de drogas realizado na residência.
O caso é investigado pela Polícia Civil como tráfico de entorpecentes, abandono de incapaz, maus-tratos à criança e violência doméstica. Os investigadores procuram o companheiro da mulher, apontado como responsável pelas drogas encontradas no imóvel.
Um laudo pericial deverá confirmar se houve maus-tratos contra a criança de dois anos e meio por parte do casal.





