Uma operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), com apoio do 1º BAEP (Batalhão de Ações Especiais de Polícia), da Corregedoria da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Penal, cumpriu nesta terça-feira (9) mandados de prisão e de busca e apreensão em Campinas e Cardoso, no interior paulista. A Operação Infiltrados investiga agentes públicos suspeitos de fornecer informações privilegiadas, praticar extorsões e colaborar com integrantes de uma organização criminosa.
Segundo o promotor do Gaeco, Marcos Tadeu Rioli, a investigação teve início após a prisão de um traficante ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital) em agosto do ano passado. Durante o cumprimento do mandado, o investigado relatou que havia recebido uma exigência de pagamento de R$ 500 mil para que não fosse preso e para que seu caso não chegasse ao conhecimento do Gaeco. “A pessoa presa informou que, dois dias antes da operação, recebeu uma exigência de R$ 500 mil para que não fosse presa. A partir dessa informação, foi instaurada uma nova investigação para identificar os responsáveis pela tentativa de extorsão”, afirmou Rioli.

Estagiário do Ministério Público é apontado como responsável por extorsão
As investigações apontaram que a mensagem exigindo o pagamento teria sido enviada por um estagiário que atuava em uma Promotoria Criminal de Campinas. De acordo com o Ministério Público, ele utilizaria acessos a sistemas internos para identificar investigados com elevado poder aquisitivo e, posteriormente, exigir dinheiro em troca de suposta proteção contra investigações.
Segundo o Gaeco, o estagiário contaria com a colaboração de outros agentes públicos, entre eles um policial penal e um ex-policial civil. “Apurou-se que quem encaminhou a mensagem foi um estagiário de uma promotoria de Justiça de Campinas. Com apoio de agentes que forneciam acesso a sistemas de consulta privilegiada, ele obteve informações sobre o alvo e realizou a extorsão”, disse o promotor.
O ex-estagiário foi preso durante a operação.
Investigação também alcança policial civil
Outro núcleo investigado envolve um então chefe de investigadores da Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes) de Campinas. Segundo o Ministério Público, ele teria mantido contato clandestino com um empresário apontado como integrante do PCC e investigado por lavagem de dinheiro.
De acordo com o Gaeco, o encontro ocorreu poucos dias antes da Operação Pronta Resposta, que desarticulou um grupo suspeito de planejar um atentado contra o promotor Amauri Silveira Filho. “Foi identificado que o chefe dos investigadores manteve um contato clandestino com um empresário ligado ao PCC, investigado por lavagem de dinheiro. Na época, esse empresário era apontado como um dos principais suspeitos de envolvimento em um plano para matar um promotor do Gaeco”, afirmou Rioli.
O encontro teria ocorrido em uma barbearia em Campinas aproximadamente uma semana antes da deflagração da operação que frustrou o suposto plano criminoso.
Mandados e apreensões
Ao todo, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão temporária. Nove buscas ocorreram em Campinas e uma em Cardoso. Dos três mandados de prisão, dois foram cumpridos em Campinas e um em Cardoso.
O policial civil preso foi encaminhado à Corregedoria da Polícia Civil. Já o ex-estagiário do Ministério Público foi apresentado na 2ª Seccional de Campinas.
Representando a Corregedoria da Polícia Civil, um delegado corregedor afirmou que a instituição acompanhará o caso. “A operação trata justamente da infiltração do crime organizado em estruturas públicas. Vamos aprofundar as apurações para verificar o alcance dos fatos e a participação do policial investigado”, declarou.
Investigações continuam
Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, extorsão, corrupção e violação de sigilo funcional.
Todo o material apreendido será analisado pelo Gaeco, que pretende aprofundar as investigações para identificar outros envolvidos e esclarecer a extensão dos contatos e do compartilhamento de informações sigilosas entre os suspeitos.
*Atualizado às 16h32





