
O piloto campineiro Mayky Fernandes dos Santos foi condenado a 52 anos, 4 meses e 24 dias de prisão pelos crimes de tentativa de feminicídio e feminicídio consumado contra a comissária de bordo Dinorah Cristina Barbosa da Silva.
O julgamento foi realizado nesta quinta-feira (21), na 1ª Vara Criminal de Paulista, em Pernambuco. Mayky participou por videoconferência, já que está preso no sistema penitenciário paulista desde 2020.
A vítima foi assassinada enquanto amamentava a filha, que tinha oito meses na época. A bebê não foi atingida pelos disparos e atualmente vive com a avó materna.
Crime foi considerado planejado
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o piloto atuou como mandante dos crimes ocorridos em 4 de julho e 24 de outubro de 2019. Na sentença, o magistrado afirmou que os ataques foram “manifestamente planejados” desde fevereiro daquele ano e classificou o assassinato como uma “execução sumária”.
O juiz também destacou como agravantes o fato de os crimes terem ocorrido durante a noite e dentro da residência da vítima, local que “deveria representar paz e segurança”.
Dosimetria da pena
Pela tentativa de feminicídio registrada em julho de 2019, Mayky foi condenado a 17 anos, 5 meses e 18 dias de reclusão.
Já pelo feminicídio consumado, ocorrido em outubro do mesmo ano, a pena foi fixada em 34 anos, 11 meses e 6 dias de prisão. As penas foram somadas devido ao concurso material dos crimes.
A Justiça também reconheceu aumento de pena pelo fato de os crimes terem sido praticados na presença da filha da vítima. A sentença aponta ainda que a mãe de Dinorah foi atingida na mão durante o ataque.
O juiz manteve a prisão preventiva e negou ao condenado o direito de recorrer em liberdade.
Defesa diz que vai recorrer
Em nota, a defesa afirmou que respeita a decisão do Tribunal do Júri, mas discorda do resultado. “A defesa discorda, tecnicamente, do resultado alcançado, especialmente porque sustentou em plenário a tese de negativa de autoria”, informou.
Os advogados também declararam que irão recorrer. “A defesa informa que adotará, de forma imediata, as medidas recursais cabíveis perante as instâncias competentes”, diz o texto.
Investigação aponta ligação com a região de Campinas
Apesar de o crime ter ocorrido em Pernambuco, as investigações apontam que o planejamento teve origem no interior paulista, especialmente na região de Campinas.
Segundo a Polícia Civil de Pernambuco, Mayky e a então sogra, Maria Aparecida Brandão Batista, teriam financiado a ação criminosa.
De acordo com as apurações, Douglas Dias Pereira, morador de Hortolândia, foi responsável por intermediar a contratação dos executores, identificados como Denis Pereira da Silva e Victor Hugo Lima da Silva, ambos de Pernambuco.
Outros envolvidos já foram condenados
Douglas Dias Pereira foi condenado a 29 anos e três meses de prisão em regime fechado.
Maria Aparecida Brandão Batista recebeu pena de 49 anos e seis meses de prisão pelos crimes de feminicídio consumado e tentativa de homicídio qualificado.
Já Denis Pereira da Silva e Victor Hugo Lima da Silva foram condenados a 33 anos e 28 anos, 1 mês e 15 dias de prisão, respectivamente.





