O espetáculo “O Sétimo Hóspede” será apresentado no dia 23 de maio, às 20h, no Teatro Fábrica das Artes, em Americana. A montagem traz uma dramaturgia intimista inspirada no Teatro do Absurdo, com foco em temas como solidão, existência e comunicação.
A reportagem da TV TODODIA acompanhou o último ensaio antes da apresentação e conversou com o diretor e os atores sobre os elementos da peça.
Teatro do absurdo e reflexões humanas
Inspirado em autores como Samuel Beckett, o espetáculo utiliza pausas, silêncios e diálogos para abordar questões ligadas à condição humana.
O dramaturgo Clóvis Torres explicou a proposta da montagem. “Eu acho que não há estranheza na abordagem do vazio humano, da falta de sentido das relações cotidianas, das palavras que normalmente têm um peso, mas o que não é dito revela muito mais”, afirmou.
Segundo ele, a peça busca provocar reflexão no público. “Eu busco parte desse absurdo, desse vazio, mas busco encantamento, porque eu quero que as pessoas saiam do teatro querendo viver, mas querendo dar um sentido para aquilo que não tem”, disse.
Dona Flor e o Escritor
Na trama, Dona Flor, interpretada por Luciane Aranha, carrega sentimentos ligados à solidão e à memória. “A gente estava vindo de um período muito complicado, de pandemia. Tinha uma reclusão de todo mundo, tinha o luto de muita gente, tinha a falta do contato com as pessoas”, comentou a atriz. Ela destacou a influência desse contexto na construção da personagem. “Essas coisas que a gente tinha passado muito recentemente vieram muito ao encontro do que o texto precisava”, afirmou.
Já o ator Nando Almeida interpreta o personagem Escritor, que enfrenta um luto não resolvido e um bloqueio criativo. “É um escritor que está numa fase não criativa, que está vindo de um luto não resolvido. Essas coisas dialogam, de certa maneira, com a gente”, explicou.
Segundo ele, o trabalho em cena exige sintonia entre os atores. “Esse espetáculo é um grande jogo. Se você não estiver bem afiado com o outro, você acaba perdendo o fio da meada da história em si”, disse.

Estética minimalista e conexão com o público
A montagem utiliza poucos elementos em cena, como um tapete e dois guarda-chuvas suspensos, apostando em uma estética minimalista.
Para o diretor, a escolha valoriza a presença humana. “A função estética dessa escolha é colocar o ser humano em destaque. A peça propõe o contrário desse mundo de rapidez e urgência. A gente parar e observar aquilo que a gente não observa nunca”, afirmou.
A atriz também comentou a recepção do público. “A peça causa uma estranheza a princípio. Conforme ela vai andando, as pessoas vão entrando e embarcando com a gente”, disse.
Serviço
Os ingressos para “O Sétimo Hóspede” podem ser adquiridos pelo site Sympla ou na portaria do Teatro Fábrica das Artes no dia do evento.
O teatro está localizado na Rua Doutor Cícero Jones, 146, na Vila Rehder, em Americana.





