sexta-feira, 8 maio 2026
INVESTIGAÇÃO

Polícia Civil apura possível homicídio culposo em morte de paciente durante procedimento estético em Americana

Investigação busca esclarecer se o médico tinha habilitação técnica para realizar o procedimento e aguarda laudo do IML para definir os próximos passos
Por
Cristiani Azanha
Investigação sobre o caso está sendo realizada pela polícia. Foto: Arquivo/TV TODODIA

A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar a morte de uma paciente de 34 anos ocorrida durante um procedimento de escleroterapia realizado em um consultório médico, no Centro de Americana, na quarta-feira (6). O caso é apurado, inicialmente, como possível homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Segundo o delegado Eduardo Salge da Fonseca e Cunha, o médico responsável pelo atendimento possui RQE (Registro de Qualificação de Especialista) em medicina do trabalho, e não em angiologia, especialidade ligada ao tratamento vascular. A investigação busca esclarecer se o profissional possuía habilitação técnica para realizar o procedimento.

Médico ainda não foi ouvido
O médico foi intimado pela Polícia Civil para prestar esclarecimentos sobre o caso.

O delegado relatou que o marido da paciente ainda não foi ouvido formalmente, já que participa do velório realizado nesta sexta-feira (8). O depoimento deverá ocorrer na próxima semana.

Laudo do IML ainda não foi concluído
A Polícia Civil aguarda o laudo necroscópico do IML (Instituto Médico Legal), que deverá apontar a causa da morte. O documento ainda não foi finalizado e a expectativa é que seja concluído na próxima semana.

O resultado da perícia será considerado peça fundamental para definir os próximos rumos da investigação.

Outro lado
Em nota encaminhada à imprensa, o médico Edison Augusto do Nascimento e a São Lucas Medicina Ocupacional afirmaram que a paciente passou mal logo após o início do procedimento de escleroterapia, ao qual já teria sido submetida anteriormente sem intercorrências.

Segundo a defesa, a paciente relatou mal-estar e perdeu a consciência, sendo imediatamente atendida pelos médicos presentes no local. Ainda conforme a nota, equipes de suporte avançado, incluindo o serviço Help Móvel e uma UTI móvel, foram acionadas rapidamente para realizar manobras de reanimação, mas a paciente não resistiu.

Clínica nega responsabilidade
A defesa sustenta que não houve culpa médica e afirma que a morte pode ter sido causada por uma condição súbita e imprevisível da própria paciente.

A nota também esclarece que o atendimento ocorreu em consultório particular do médico e não nas dependências operacionais da São Lucas Medicina Ocupacional.

A equipe médica declarou que aguarda os laudos do IML e da perícia técnica, afirmando que os documentos deverão esclarecer as circunstâncias da morte. “Lamentamos profundamente o ocorrido e reiteramos nossa total solidariedade à família e amigos neste momento de dor”, finalizou a nota.

Relembre o caso
Segundo relato do marido registrado em boletim de ocorrência, a vítima foi levada ao local por volta das 14h30 para realizar o procedimento, utilizado no tratamento de vasinhos ou varizes.

O marido relatou à Polícia Civil que permaneceu na sala de espera e, por volta das 17h, foi informado pelo médico que realizou o procedimento de que a esposa havia morrido. Ainda conforme o relato registrado no BO (boletim de ocorrência), a mulher não apresentava problemas de saúde, além da condição relacionada a vasinhos nas pernas.

A Polícia Científica esteve no local e realizou perícia. O corpo foi recolhido e encaminhado ao IML.

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