terça-feira, 28 abril 2026
NA PREFEITURA

Polícia Civil investiga uso de atestados falsos por servidores em Campinas

Ao menos oito funcionários públicos apresentaram documentos suspeitos; médicos teriam sido vítimas de uso indevido de dados
Por
Guilherme Pierangeli
Além da Prefeitura de Campinas, outros órgãos podem ter recebido atestados falsos de servidores ou funcionários. Foto: Guilherme Pierangeli/TV TODODIA (Arquivo)

A Polícia Civil investiga a utilização de atestados médicos supostamente falsos por servidores públicos em Campinas. O inquérito é conduzido pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e teve início após a identificação de um esquema de venda de documentos emitidos em nome de médicos que não integram a rede municipal.

A Prefeitura informou que oito servidores apresentaram atestados vinculados a esses profissionais. As informações foram levantadas pelas secretarias de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas e de Saúde e encaminhadas à polícia.

Esquema começou com falsificação
Segundo o diretor do Deinter 2 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior), delegado Oswaldo Diez Júnior, a investigação começou a partir da atuação de um suspeito preso em operação anterior. “No início do ano, a gente começou algumas investigações para identificar estelionatários que estariam falsificando atestados médicos. Essa investigação conseguiu identificar um indivíduo que estava na posse de diversos atestados e carimbos de médicos”, afirmou.

Durante essa apuração, a polícia identificou que ao menos cinco médicos tiveram seus dados utilizados sem autorização. “Cinco médicos estavam tendo seu nome e número de CRM usados indevidamente. Ou seja, estavam vendendo atestados médicos em nome desses profissionais, que são vítimas desse tipo de crime”, disse.

Dr. Owaldo Diez Júnior, diretor do Deinter 2. Foto: Guilherme Pierangeli/TV TODODIA

Novo inquérito apura quem usou documentos
Após a prisão do suspeito, um novo inquérito foi instaurado para investigar quem se beneficiou do esquema. “Esse novo inquérito foi instaurado para apurar quem foram as pessoas que compraram atestados médicos falsos para abonar falta ou emendar feriado. Isso é crime de falsidade ideológica e uso de documento falso”, explicou o delegado.

Segundo ele, a Prefeitura foi o primeiro alvo da investigação por concentrar grande número de servidores. “A Prefeitura foi oficiada para informar se houve uso desses atestados. E a resposta foi que oito servidores utilizaram documentos com o nome desses médicos”, afirmou.

Próximos passos
A investigação agora busca esclarecer se os documentos foram obtidos de forma regular ou fraudulenta. “A polícia vai apurar se esses servidores passaram por consulta médica ou se compraram esses atestados de maneira falsa. Esse é o foco da investigação”, disse.

O delegado também indicou que o caso pode se expandir para outros setores. “Não vamos parar na Prefeitura. Outros órgãos públicos e até empresas privadas podem ter sido vítimas desse uso indevido de atestados”, afirmou.

Impacto e possíveis punições
Caso sejam confirmadas irregularidades, os servidores podem responder por falsidade ideológica e uso de documento falso, com penas que podem chegar a seis anos de prisão, além de sanções administrativas. “Quem tenta obter um atestado para abonar falta precisa pensar no prejuízo causado ao serviço público. Isso impacta diretamente a população”, disse o delegado.

A Prefeitura informou que segue colaborando com as investigações e permanece à disposição das autoridades.

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