quinta-feira, 9 abril 2026
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Policial penal é preso em flagrante por tentativa de feminicídio contra ex-companheira em Hortolândia

Caso aconteceu em apartamento no Remanso Campineiro e envolveu também a filha do casal, uma bebê de nove meses
Por
Vagner Salustiano
Caso segue em investigação pela equipe da DDM de Hortolândia. Foto: Vagner Salustiano/TV TODODIA

Um policial penal de 34 anos foi preso em flagrante pela Polícia Militar por tentativa de feminicídio contra a ex-companheira, de 25 anos, na tarde de quarta-feira (8), em Hortolândia. O crime aconteceu em um apartamento de um condomínio no Remanso Campineiro e envolveu também a filha do casal, uma bebê de nove meses.

De acordo com as informações do caso, para se aproximar das vítimas, o agressor descumpriu uma medida protetiva de urgência que o impedia de ir ao apartamento.

Familiares acionaram a polícia
Após serem acionados pelo telefone 190, policiais militares chegaram ao condomínio e encontraram do lado de fora vários familiares da vítima, consternados com a situação. Eles relataram que a mulher havia pedido socorro ao ser agredida pelo ex-companheiro, que ainda estava no interior do apartamento com as vítimas.

Os policiais também foram informados de que o agressor é policial penal e poderia estar armado, o que motivou o pedido de reforço antes da entrada no imóvel. A equipe subiu até o apartamento e tocou a campainha, mas ouviu apenas latidos de um cachorro.

Diante da suspeita de risco para a mulher e a bebê, e com autorização dos familiares, os policiais arrombaram a porta da residência. No interior do imóvel, encontraram a mulher com a bebê no colo, além de “grande quantidade de vestígios de sangue” por todo o apartamento.

Suspeito foi localizado no imóvel
Segundo os policiais militares, a vítima estava bastante nervosa e abalada e não conseguiu informar, de imediato, onde o ex-companheiro estava. Durante a vistoria no apartamento, os agentes encontraram o suspeito em um dos cômodos, com um pano no rosto e sangramento no supercílio.

Ainda de acordo com os PMs, o agressor “se encontrava em aparente estado de desorientação, meio grogue, não sendo possível precisar se estaria sob efeito de substância entorpecente ou outra causa”.

Depois de ser colocada em segurança, a mulher relatou que houve uma discussão entre os dois e que ela foi agredida fisicamente pelo ex-companheiro. Ela apresentava marcas no rosto e no pescoço, compatíveis com socos e esganadura.

Atendimento médico
Mãe e filha foram levadas para atendimento médico de emergência no Hospital Municipal Mario Covas. Em seguida, todos foram encaminhados pela Polícia Militar à DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Hortolândia.

Relato de violência ao longo dos anos
À delegada Alline Abdo Vicentim, da DDM, a vítima relatou que manteve um relacionamento de 12 anos com o agressor, mas que “o casamento sempre foi marcado por violência física e verbal”, pois ela era “constantemente agredida com socos, tapas e puxões de cabelo, além de sofrer agressões verbais de forma reiterada”.

Segundo a mulher, em uma das ocasiões, o investigado chegou a desferir um chute em sua costela, o que a levou a procurar atendimento em um pronto-socorro, onde informou aos profissionais de saúde que havia sofrido uma queda.

A vítima disse ainda que ninguém sabia das violências que sofria, pois nunca havia contado nada anteriormente “por vergonha, por amor e por acreditar que ele mudaria”.

Conforme o depoimento, o homem controlava os gastos da mulher, as roupas que ela usava e até sua intenção de cursar faculdade. Em um dos episódios de agressão, ela foi severamente espancada e chegou a perder a consciência.

Separação e novas ameaças
Quando a bebê tinha aproximadamente três meses, o casal se separou após a mulher descobrir que o então companheiro estava em um motel e utilizava um segundo aparelho celular escondido. Depois, porém, os dois reataram por pressão familiar.

Segundo o relato, a situação se agravou quando a mulher descobriu que o ex-marido “tirava fotos dela e as compartilhava com outras pessoas, bem como a filmava enquanto dormia, repassando tais gravações em um grupo no aplicativo Telegram, para que outros homens as visualizassem”.

Mesmo separados, as ameaças continuaram. De acordo com a vítima, o agressor chegou a dizer que, se a visse com outra pessoa, faria “uma besteira”.

Agressões antes da prisão
Na noite de terça-feira (7), o suspeito enviou uma mensagem dizendo que ela deveria sair do apartamento e deixar a criança. Depois disso, a mulher permitiu que ele fosse ao imóvel para visitar a filha.

O homem pernoitou no local. Na manhã seguinte, a mulher percebeu que o apartamento estava bagunçado e sujo e que o ex-marido tirava fotos do ambiente.

Segundo o relato, houve uma discussão e a primeira agressão ocorreu quando ela tentou pegar o celular do suspeito. O homem também tentou enforcá-la, o que a fez perder a consciência e deixar a criança cair no chão, batendo a cabeça.

Ao recobrar a consciência, a mulher pegou uma faca na cozinha para se defender, mas foi novamente dominada pelo agressor. Ela colocou a menina no andador, mas o pai chutou o equipamento, fazendo a criança cair novamente no chão.

A vítima afirmou que só conseguiu acionar a Polícia Militar com um celular que mantinha escondido dentro de casa.

Investigação e canais de denúncia
O caso é investigado pela equipe da delegada Alline como tentativa de feminicídio, violência doméstica, descumprimento de medida protetiva de urgência e, no caso da bebê, também lesão corporal. O suspeito segue preso.

Em situações de risco ou violência contra mulheres, meninas ou crianças, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190, e a Central de Atendimento à Mulher pelo telefone 180. Os dois serviços funcionam 24 horas por dia.

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