Responsável pelo comando da Ponte Preta na Série B do Campeonato Brasileiro, o ex-goleiro João Brigatti não deixa de espiar o que é feito na Copa do Mundo. Em entrevista ao TODODIA, o ex-arqueiro e atual técnico Ponte Preta exibe suas impressões sobre os jogos na Rússia, marcado por equipes focados na defesa, o que ele considera um cenário já existente no Brasil. “Muitos, mesmos não sendo partidários de uma postura mais defensiva, optam em utilizá-la como forma de proteção e manutenção do emprego”.
TODODIA – Esta Copa do Mundo tem sido de poucos gols. Você acha que é pela queda de qualidade dos jogadores ou melhoria dos conceitos táticos defensivos dos treinadores?
BRIGATTI – Não acredito que seja pela queda de qualidade dos jogadores. Temos visto recordes sendo quebrados por jogadores e equipes de todo o mundo. O futebol está evoluindo. O que acredito que está acontecendo é que cada vez mais temos dados e informações sendo geradas e divulgadas e o acesso às informações é facilitado. As equipes entram em campo cada vez mais preparadas para enfrentar seus próximos adversários e isso influencia em um equilíbrio maior entre as equipes.
TODODIA – Agora como treinador de que forma você assiste uma Copa do Mundo. Pode ser um campo para reciclagem e busca de novas ideias?
BRIGATTI – Cada jogo é um jogo. Busco absorver o máximo de informações que cada partida proporciona. Agora não diria reciclagem e busca de novas ideias. Não vi nada inovador em campo. Diria que é uma oportunidade de ver diferentes escolas e seus modelos de jogo sendo utilizados e confrontados. Isso sim é enriquecedor. E, a partir disso, poder observar quais decisões são tomadas pelos melhores técnicos e jogadores do mundo diante das adversidades que esses confrontos produzem.
TODODIA – As equipes em sua maioria adotam uma marcação muito baixa, quase próxima do gol. Você acha que essa tendência chegará ao Brasil?
BRIGATTI – Com as partidas cada vez mais equilibradas e competitivas, é normal que alguns treinadores adotem uma postura mais defensiva principalmente em um campeonato de tiro curto como a Copa do Mundo. Isso não é uma peculiaridade desse campeonato. No Brasil isso já vem ocorrendo. Além disso, outro fator que corrobora com essa atitude aqui no Brasil é a alta instabilidade no cargo que os treinadores são submetidos. Desta forma, por se sentirem constantemente ameaçados, muitos, mesmos não sendo partidários de uma postura mais defensiva, optam em utilizá-la como forma de proteção e manutenção do emprego.




