quarta-feira, 29 abril 2026

Pela 4ª vez, Brasil cai após gol de bola aérea

FOLHAPRESS | RÚSSIA 
Pela quarta vez consecutiva, a seleção brasileira é eliminada de uma Copa do Mundo após sofrer um gol de bola parada na partida decisiva. Desta vez, a história se repetiu na derrota para a Bélgica por 2 a 1, ontem, na Arena Kazan, pelas quartas de final do Mundial da Rússia.

O primeiro gol dos belgas surgiu exatamente de uma bola aérea. Após cobrança de escanteio de De Bruyne, Kompany desviou na primeira trave, a bola pegou em Fernandinho e Alisson não conseguiu fazer a defesa. O segundo gol da seleção europeia nasceu em um contra-ataque que terminou com a finalização cruzada de De Bruyne.

Antes da eliminação para a Bélgica, o Brasil já tinha sofrido com a jogada aérea nas Copas do Mundo de 2006 (Alemanha), 2010 (África do Sul) e 2014 (Brasil).

Em 2006, também nas quartas de final, o time comandado por Carlos Alberto Parreira perdeu para a França por 1 a 0. O único gol do jogo saiu após uma cobrança de falta do lado esquerdo de Zidane para Henry, que completou para o gol com o pé.

Quatro anos depois, a Holanda venceu o Brasil por 2 a 1 com dois gols desta forma. No primeiro, Júlio César e Felipe Melo bateram cabeça em bola levantada por Sneidjer. No outro, o meia aproveitou um desviou na pequena área após cobrança de escanteio e tocou para o gol.

Já no Mundial do Brasil, o primeiro gol da goleada da Alemanha por 7 a 1 saiu justamente assim. Após batida de escanteio, a bola atravessou toda a área e Müller finalizou com o pé.

Durante a era Tite, a bola aérea se apresenta como a maior fragilidade. Dos oito gols sofridos pelo Brasil desde setembro de 2016, seis foram após cruzamentos pelo alto.

O único tomado pelo time brasileiro até a partida contra a Bélgica foi também após uma cobrança de escanteio. Contra a Suíça, pela primeira rodada, Zuber cabeceou entre nove brasileiros que estavam perto do lance.

Na oportunidade, Tite não considerou uma falha. Ele colocou a culpa no árbitro mexicano César Ramos, que não viu um empurrão do zagueiro suíço em Miranda.

Além dos gols da Suíça e da Bélgica, o Brasil de Tite já havia sofrido com esta jogada durante as eliminatórias e amistosos. O treinador usa como padrão a marcação por zona; tal visão tática visa proteger os espaços mais perigosos.

‘A GENTE SE DESESPEROU’, DIZ RENATO AUGUSTO 
Segundo gol pesou, lamentou meia

Como não poderia deixar de ser, o clima entre os jogadores da seleção brasileira foi de consternação.  Autor do único gol brasileiro no duelo, o meia Renato Augusto apontou uma desestabilização emocional do time com dois gols sofridos no primeiro tempo. “A gente tem de estar preparado para tudo, inclusive começar perdendo. A gente se desesperou um pouco e por isso saiu o segundo [gol belga]. Depois ficou difícil tentar o resultado, mas a gente lutou até o fim”, avaliou.

“Acho que é uma mistura de coisas. A Bélgica se fechou, tem de forçar porque está perdendo o jogo, busca um passe decisivo para tentar empatar… A Bélgica tem os seus méritos também”, concluiu Renato.

“Infelizmente não é o que queríamos. A gente deixa a Copa com uma tristeza, tentamos até o fim”, disse o zagueiro Miranda, capitão do Brasil nas quartas de final.

O goleiro Alisson minimizou falhas individuais que contribuíram para os gols belgas na partida e exaltou as qualidades do grupo que esteve na Rússia.

“A gente tem de aprender com os erros. Mas acredito que os erros foram mínimos, a nossa equipe teve muita qualidade. É isso que dói mais, saber que a gente encontrou um adversário que foi muito bem dentro da proposta deles”, disse.

TITE EVITA FALAR DE FUTURO 
O técnico Tite entrou na sala de imprensa da Arena Kazan com os olhos marejados após a eliminação contra a Bélgica. Ele não quis comentar se permanece à frente da seleção brasileira até o Mundial do Qatar.

“É inapropriado falar sobre futuro. É um momento de emoção, não tenho como te responder essa pergunta”, disse o treinador.

O técnico Tite ingressou no cargo em 2016 e tem contrato até o fim desta Copa do Mundo, mas ainda não definiu seu futuro.

Perguntado sobre as falhas, Tite não quis falar sobre os erros do atleta.

“Quero fazer uma análise e não vou entrar em individualidades porque é desumano. Entendo o futebol, mais do que a vida, como um contexto. Foi um grande jogo, tivemos a maior parte dominando. Na efetividade, a Bélgica conseguiu traduzir em gols”, disse Tite.

NEYMAR VIVE SEU 2º REVÉS 
Neymar não conseguiu ser o protagonista que se esperava nesta Copa, a segunda de sua carreira. O jogador, que saiu do Barcelona para o PSG pelo sonho de ser o melhor jogador do mundo, deixa a Rússia após o Brasil cair ainda nas quartas. A eliminação o deixa distante do troféu de melhor jogador do mundo, cujos principais concorrentes são CR7 e Messi.

BRASIL PODE IGUALAR JEJUM
A eliminação do Brasil para a Bélgica aumentou o jejum da seleção em títulos mundiais. O máximo que a seleção brasileira ficou sem comemorar a conquista de uma Copa do Mundo foram cinco edições do torneio.

O primeiro foi entre as copas de 1930 e 1958 (não houve Copa de 1942 a 1946). O segundo foi entre as Copas de 1974 e 1990.

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