quarta-feira, 15 abril 2026
ARTEMIS II

Astronautas usam relógio com tecnologia brasileira da USP em missão lunar

O dispositivo desenvolvido pela EACH consegue acompanhar o desempenho físico
Por
Nathalia Tetzner
O relógio foi aprimorado por uma empresa privada. Foto: Nasa

Uma tecnologia desenvolvida nos laboratórios da Universidade de São Paulo ultrapassou as fronteiras terrestres para integrar o programa Artemis, da NASA. 

Sobre a tecnologia
O dispositivo, um actígrafo de alta precisão, foi selecionado para monitorar a saúde e os ritmos biológicos dos astronautas que buscam estabelecer uma presença humana duradoura no espaço. 

Criado na EACH (Escola de Artes, Ciências e Humanidades) sob a supervisão do professor Mario Pedrazzoli, especialista em cronobiologia, o equipamento é vital para garantir que a tripulação mantenha o desempenho e a segurança em ambientes onde o ciclo natural de dia e noite inexiste. 

Papel estratégico
Diferente de relógios inteligentes voltados ao mercado fitness, este actígrafo é uma ferramenta de rigor científico utilizada para analisar os ritmos circadianos. Usado no pulso, ele registra de forma ininterrupta os padrões de repouso, a movimentação corporal e, fundamentalmente, a exposição à luz ambiente. 

O diferencial está na capacidade de medir a composição espectral da luz, com foco na luz azul, que é o principal regulador do relógio biológico humano. No vácuo espacial ou dentro de naves, compreender como essas variáveis afetam o sono é crucial para o sucesso da missão. 

Reconhecimento internacional
O percurso dessa inovação começou com estudos acadêmicos na EACH/USP e contou com o suporte inicial do programa PIPE, da FAPESP, que incentiva o desenvolvimento tecnológico em pequenas empresas. 

Esse alicerce científico permitiu que a empresa Condor Instruments aprimorasse e produzisse o dispositivo em escala industrial, consolidando-o como um instrumento de referência para pesquisadores de neurociências e saúde pública em diversos países. 

A transição da bancada da universidade para o pulso de astronautas da NASA simboliza a maturidade da biotecnologia nacional. 

Legado científico
A presença da tecnologia brasileira em missões lunares é um marco que reafirma a excelência da universidade pública no Brasil. No entanto, o impacto desse trabalho vai além da exploração espacial. 

Os dados coletados pelo actígrafo auxiliam na compreensão de distúrbios do sono e no desenvolvimento de estratégias para mitigar os danos da vida urbana moderna, como a exposição excessiva à luz artificial. 

Assim, o objetivo é que o conhecimento gerado para as estrelas retorne à Terra na forma de subsídios para políticas públicas e melhoria direta na qualidade de vida da população.

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