
A entrada em vigor da nova NR-1, em 26 de maio de 2026, marca um momento histórico para o direito do trabalho no Brasil. A norma, discutida desde 2025, passa a exigir que as empresas identifiquem, monitorem e combatam riscos psicossociais no ambiente corporativo, como assédio moral, pressão abusiva, sobrecarga de trabalho e outras situações que afetam a saúde mental dos trabalhadores.
Com a mudança, a saúde mental passa a integrar oficialmente as exigências legais de segurança e saúde ocupacional. Na prática, o esgotamento profissional deixa de ser tratado como uma questão secundária e passa a fazer parte das responsabilidades das organizações. O descumprimento das novas diretrizes poderá resultar em sanções e processos judiciais.
De acordo com a psicóloga Carina Neves, os números mostram a dimensão do problema. Segundo ela, somente em 2025, cerca de 500 mil trabalhadores foram afastados de suas atividades por doenças mentais relacionadas ao trabalho.
Mudança exige transformação cultural
Para a psicóloga, promover saúde mental vai muito além de iniciativas pontuais dentro das empresas.
Segundo a especialista, ações como espaços de lazer, salas de descanso e campanhas internas são positivas, mas não substituem mudanças estruturais na cultura organizacional. A nova regulamentação exige análise técnica dos riscos, revisão de processos e atenção constante ao bem-estar emocional dos trabalhadores.
No cotidiano corporativo, fatores como acúmulo de funções, metas consideradas inalcançáveis e cobranças fora do horário de expediente estão entre os principais elementos associados ao aumento dos casos de estresse, ansiedade e esgotamento profissional.
Benefícios para empresas e trabalhadores
Outro ponto debatido por especialistas é a dificuldade de fiscalizar riscos ligados à saúde mental. A norma exige laudos técnicos sobre riscos psicossociais, mas não determina, obrigatoriamente, a contratação de psicólogos para realizar esse mapeamento.
Ainda assim, Carina Neves defende que empresas que investirem em acompanhamento especializado tendem a colher resultados positivos.
“A empresa que entender a importância do acompanhamento psicológico para os funcionários vai ganhar com a redução do absenteísmo, da rotatividade e com a retenção de talentos”, explicou.
A psicóloga destaca que a melhora na produtividade é uma consequência natural de ambientes de trabalho mais saudáveis.
“O empresário tem que entender que essa norma, a NR-1, não vem para onerar ou aumentar os custos, mas sim para melhorar a relação entre empregado e empregador”, completou.
Novo cenário nas relações de trabalho
A nova NR-1 amplia a responsabilidade das empresas sobre a saúde integral dos trabalhadores e reforça a necessidade de equilibrar produtividade, desempenho e qualidade de vida no ambiente profissional.
Com a saúde mental passando a integrar oficialmente as exigências de segurança e saúde ocupacional, especialistas avaliam que o desafio agora será transformar a legislação em práticas efetivas dentro das organizações.





