domingo, 13 setembro 2026

Ato em 11 de agosto há 30 anos foi decisivo para queda de Collor

O inimigo desta vez não está abertamente nomeado, mas transparece nas entrelinhas: é o presidente Jair Bolsonaro

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ato em defesa da democracia marcado para esta quinta-feira (11) remete a uma outra mobilização popular que, também em um dia 11 de agosto, em 1992, serviu de fagulha para a queda do então presidente Fernando Collor de Mello. Após 30 anos, parte dos manifestantes volta à luta.

Foram estudantes de cara pintada que puxaram naquele dia o levante em São Paulo contra o governo, com concentração no Masp e passeata até o largo São Francisco, mesmo local onde será lida em 2022 a “Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito”

A marcha contra Collor não foi a maior daquele ano -atraiu cerca de 10 mil pessoas, segundo os registros da ocasião-, mas entrou para a história por ter sido a precursora de uma série de protestos que culminaria no impeachment. A “estudantada inerte” enfim reagia, noticiou a Folha na época.

“Foi uma surpresa a gente conseguir colocar tanta gente”, recorda o ex-senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que presidia a UNE (União Nacional dos Estudantes) na data e se programa para ir nesta quinta à Faculdade de Direito da USP, berço do documento endossado por mais de 858 mil pessoas.

Para o político, a faísca se alastrou em 1992 porque o movimento foi diversificado. “Buscar amplitude, trazendo diferentes segmentos, foi a chave daquela conquista e deve ser nossa meta agora também, só que com a bandeira da defesa da democracia e do sistema eleitoral.”

Foi em reação ao 11 de agosto que Collor convocou as pessoas a saírem às ruas de verde e amarelo no domingo seguinte para apoiá-lo. Deu errado, como se sabe, e o preto foi a cor escolhida, em protesto.

O inimigo desta vez não está abertamente nomeado, mas transparece nas entrelinhas: é o presidente Jair Bolsonaro (PL), com sua tática golpista de contestar as urnas eletrônicas, enquanto as pesquisas eleitorais o mostram atrás do líder, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Mesmo para nós que defendemos o Lula, entendemos que uma coisa é fazer campanha do Lula, e outra é ter um movimento mais amplo”, diz Lindbergh, reforçando o caráter suprapartidário da iniciativa antigolpe.

Os ex-participantes, de forma geral, enxergam a situação atual como mais grave, tensa e preocupante. “Em 1992, o regime democrático demonstrou sua potência, e neste momento está tremendo diante da ameaça que parte justamente da Presidência da República”, diz o historiador Valerio Arcary, 65, que era professor e se juntou aos alunos naquela vez.

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