segunda-feira, 7 setembro 2026

BC mantém Selic em 13,75% e encerra alta

Comitê de Política Monetária decide pôr fim a ciclo de aumentos na taxa básica de juros, mas com “vigilância”  

BANCO CENTRAL | Taxa de juros definida pelo BC é a mais alta em quase seis anos (Foto: Agência Brasil)

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu manter nesta quarta-feira (21) a taxa básica de juros (Selic) em 13,75%, encerrando o seu mais longo ciclo de aperto monetário. O colegiado do BC indicou também que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que “não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso o processo de desinflação não transcorra como esperado”.

“O comitê se manterá vigilante, avaliando se a estratégia de manutenção da taxa básica de juros por período suficientemente prolongado será capaz de assegurar a convergência da inflação”, afirmou.

A Selic, que partiu de seu piso histórico – 2% ao ano -, chega ao fim do ciclo no mais alto patamar em quase seis anos. De outubro a novembro de 2016, durante o governo de Michel Temer (MDB), a taxa de juros estava fixada em 14% ao ano. Ao todo, foram 12 aumentos consecutivos entre março de 2021 e agosto deste ano, com elevação acumulada de 11,75 pontos percentuais. O atual choque de juros é também o mais forte desde a adoção do regime de metas para inflação, em 1999. Na época, a taxa básica saltou de 25% para 45% ao ano.

Com a decisão desta quarta, o Brasil ocupa a posição de país com a maior taxa real de juros ao ano, descontada a projeção de inflação para os próximos 12 meses, segundo o ranking elaborado pelo portal MoneYou e pela gestora Infinity Asset Management. A lista tem 40 países.

Até fevereiro deste ano, o Brasil estava no topo do ranking, mas foi ultrapassado pela Rússia em março, após o forte aumento de juros no país em meio à Guerra da Ucrânia. Em maio, quando o banco central russo cortou a taxa de 20% para 14% ao ano, o Brasil voltou ao topo da lista.

EXPECTATIVA 

A decisão do Copom veio em linha com a expectativa majoritária do mercado financeiro. Levantamento feito pela Bloomberg mostrou que a maioria dos analistas esperava que a Selic fosse mantida em 13,75%, enquanto uma parcela menor projetava um ajuste residual de 0,25 ponto percentual.

Desde o encontro anterior do colegiado, em agosto, as projeções de inflação arrefeceram tanto para este ano quanto para o próximo. No período, também houve queda no preço do barril de petróleo no mercado internacional.

No cenário de referência do Copom, as projeções de inflação caíram de 6,8% para 5,8% neste ano e se mantiveram em 4,6% para 2023. Para 2024, o colegiado elevou a previsão de 2,7% para 2,8% (ainda abaixo do centro da meta de 3%). Em seu panorama, adotou a hipótese de bandeira tarifária “verde” em dezembro deste ano.

O BC voltou a optar por dar ênfase ao período até o primeiro trimestre de 2024, no qual a projeção de inflação acumulada em 12 meses é de 3,5%. “O comitê julga que a incerteza em torno das suas premissas e projeções atualmente é maior do que o usual”, disse.

No balanço de riscos, o BC vê fatores que podem gerar desvios da inflação em relação à meta em ambas as direções. Entre as condições que puxariam os preços para cima, o Copom destacou a persistência das pressões inflacionárias globais e a incerteza sobre a situação fiscal do país, entre outros fatores.

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