terça-feira, 8 setembro 2026

Bolsonaro falta a evento do Congresso, faz live e de novo ignora bicentenário

Presidente justifica ausência a evento oficial dizendo que tinha muitos apoiadores para atender no “cercadinho” 

SESSÃO | Ministro Luiz Fux, presidente de Portugal, Marcelo de Sousa, Pacheco e Lira (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro (PL) cancelou nesta quinta-feira (8) sua ida à sessão solene do Congresso Nacional comemorativa ao bicentenário da Independência do Brasil. No mesmo horário, o mandatário fez uma transmissão ao vivo nas redes sociais conversando com crianças no Palácio da Alvorada. A ausência dele na solenidade ocorre um dia depois de o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), terem faltado ao desfile cívico do 7 de Setembro.

Na quarta, Bolsonaro transformou as comemorações do 7 de Setembro em comícios de campanha em Brasília e no Rio de Janeiro, repetindo ameaças golpistas diante de milhares de apoiadores, mas em tom mais ameno do que no mesmo feriado do ano passado.

Em cima de carros de som, ele pediu voto, reforçou discurso conservador e deu destaque à primeira-dama Michelle Bolsonaro, com declarações de tom machista. O mandatário deixou de lado o Bicentenário da Independência nos palanques montados nas duas cidades e, tanto no Rio como em Brasília, adotou discurso parecido. Nesta quinta, a ausência de Bolsonaro à sessão foi confirmada pelo Senado Federal pelas redes sociais.

“O presidente da República, Jair Bolsonaro, cancelou sua vinda à sessão solene do Congresso Nacional de hoje em comemoração ao Bicentenário da Independência.” Interlocutores de Pacheco disseram que o presidente não deu nenhuma justificativa. A comunicação foi feita pelo cerimonial do Palácio do Planalto.

O presidente afirmou que faltou à sessão porque tinha muitos apoiadores no cercadinho do Palácio da Alvorada. A decisão de Bolsonaro pegou de surpresa a cúpula do Congresso Nacional. O cerimonial do Legislativo, que aguardava a presença de Bolsonaro, manteve o esquema de segurança tradicionalmente montado quando o mandatário comparece.

Aliados de Pacheco consideram que se tratou de uma “retaliação” pelo fato de ele e demais chefes de Poderes terem deixado Bolsonaro isolado durante os desfiles de 7 de Setembro. A ausência de Pacheco, em particular, foi uma sinalização para o chefe do Executivo, uma vez que ele estava em Brasília.

O senador mineiro chegou a oferecer um jantar durante o feriado para celebrar o Bicentenário da Independência. Compareceriam o chanceler Carlos França, membros da comunidade diplomática e o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa. Pacheco vinha falando a interlocutores que não compareceria aos desfiles de 7 de Setembro se considerasse que o evento se transformaria em um ato de campanha.

Efetivamente, após o desfile, Bolsonaro e ministros subiram em um carro de som e o mandatário discursou para seus apoiadores, com falas machistas, ataques ao STF e ao seu principal adversário na busca pela reeleição, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No Congresso Nacional, a cerimônia desta quinta-feira (8) teve a presença dos ex-presidentes Michel Temer e José Sarney, do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Fux; e do procurador-geral da República, Augusto Aras. Também estiveram presentes os ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, esse último desafeto declarado de Jair Bolsonaro. Os dois sentaram na primeira fileira das autoridades.

Além do presidente de Portugal, participaram da cerimônia os presidentes de Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, e Cabo Verde, José Maria Neves. Durante a sua fala, Pacheco não mencionou a ausência de Jair Bolsonaro. Mas, por outro lado, louvou a presença de Temer e Sarney e também o gesto dos outros presidentes da era republicana, o senador Fernando Collor de Mello, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, por terem enviado cartas justificando as ausência e cumprimentando o Legislativo pela sessão solene.

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