Quinta, 30 Junho 2022

Covid-19: isolamento despenca e otimismo cresce

Covid-19: isolamento despenca e otimismo cresce

O número de brasileiros que se dizem em total isolamento ou que só saem de casa quando é inevitável vem caindo e atingiu o menor índice em agosto, ape

O número de brasileiros que se dizem em total isolamento ou que só saem de casa quando é inevitável vem caindo e atingiu o menor índice em agosto, apesar do número de mortes diárias pela Covid-19 não arrefecer, mostra pesquisa Datafolha. 

Em 17 de abril, dia em que foram confirmadas 210 mortes pela Covid-19 no País, 21% dos brasileiros se diziam em isolamento completo e 50% diziam que só saíam de casa quando era inevitável. Em 11 de agosto, quando foram confirmadas 1.274 mortes, o total de brasileiros que se diziam em isolamento total foi de 8%, enquanto a taxa de pessoas que diziam evitar sair foi de 43%. 

Apesar de a pandemia estar em fases diferentes em diferentes regiões no País - com o número de casos e mortes em queda no Norte e em aceleração no Sul e no Centro-Oeste -, os brasileiros têm se comportado de maneira similar em todo o País, variando pouco além da margem de erro, independentemente da região, na pesquisa Datafolha. 

São mais cuidadosos os idosos (considerados grupo de risco), as mulheres e os mais pobres - enquanto 11% de quem ganha até dois salários mínimos se disseram em isolamento total, essa taxa cai para 2% entre os que ganham mais que dez salários. 

Há diferença também entre quem apoia ou não o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), que desde o começo da pandemia tem minimizado os efeitos da Covid-19. Cerca de 55% de seus críticos se dizem totalmente isolados ou que só saem de casa quando é inevitável, número que cai para 41% entre seus apoiadores. 

O infectologista Domingos Alves, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, afirma que o relaxamento da quarentena se dá pelo que ele chama de propaganda feita por políticos de que a contaminação está controlada. A redução do isolamento acompanha o relaxamento das medidas restritivas, como o fechamento de comércio e serviços, que foram impostas nos meses de março e abril. "Se podemos abrir bares, academias, cinemas, escolas, há uma noção de que a pandemia está sob controle", afirma. "A população não sai às ruas por desacreditar, por achar que não será contaminada. Sai porque há uma sinalização oficial de que a pandemia já está acabando. Quando atingimos 100 mil mortos, deveríamos ter revisto todo o plano epidemiológico que foi feito no Brasil. Mas, não, estamos caminhando para 110 mil mortos e chegaremos a 200 mil em outubro, e está tudo bem", diz. 

Seu colega Paulo Lotufo, também infectologista, diz que o número de isolados aferido pelo Datafolha lhe surpreende, por considerá-lo ainda alto. Um número menor de isolados, no entanto, deve causar impacto e refletir em um aumento do número diário de mortes, diz o professor. 


MELHORA 

Com o passar do tempo, os brasileiros têm se sentido mais otimistas e pela primeira vez há mais pessoas acreditando que a pandemia está melhorando do que piorando no país, mostra ainda a pesquisa Datafolha. Essa é a opinião de 46% da população em agosto - no fim de junho, 28% haviam dado essa resposta. 

Também neste caso, o otimismo é alavancado por homens (55% acreditam que a situação está melhorando) e apoiadores do governo (61% dos que avaliam a gestão Bolsonaro como ótima ou boa). Do outro lado, a situação está piorando na visão de mulheres (50%) e quem avalia o governo como ruim ou péssimo (59%). 

O Datafolha ouviu 2.065 pessoas de todo o país nos dias 11 e 12 de agosto por telefone. 

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