quinta-feira, 4 junho 2026
JULGAMENTO EXTENSO

Crime contra a infância: Justiça condena Jairinho e perdoa Monique pela morte de Henry Borel

Ex-vereador cumprirá pena em regime fechado e pagará indenização de R$ 400 mil, enquanto mãe tem pena extinta por tempo de prisão preventiva já cumprido
Por
Nathalia Tetzner
Defesa do pai de Henry Borel anunciou que vai recorrer do perdão judicial concedido à mãe. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro encerrou o julgamento mais extenso da história do Judiciário fluminense na madrugada de quinta-feira (4). Após 11 dias de sessão, iniciada em 25 de maio, a juíza Elizabeth Machado Louro leu a sentença dos acusados pela morte de Henry Borel Medeiros, de quatro anos, ocorrida em 8 de março de 2021. 

Acusados
O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, recebeu uma pena de 43 anos, nove meses e 20 dias de reclusão em regime inicialmente fechado. Ele foi considerado culpado por homicídio qualificado (com as qualificadoras de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e aumento de pena por se tratar de menor de 14 anos), além dos crimes de tortura e coação no curso do processo. 

Jairinho também terá de pagar uma indenização por danos morais no valor de R$ 400 mil ao pai da criança, Leniel Borel. Em sua fundamentação, a magistrada enfatizou a brutalidade desmedida e a covardia extrema demonstradas contra o menino, que descreveu como uma criança afável e mansa. A juíza caracterizou o ex-vereador como dono de uma “personalidade insidiosa”, capaz de mascarar um comportamento violento e de alta periculosidade com falsas gentilezas. 

Perdão para a mãe
Para Monique Medeiros da Costa e Silva, mãe do garoto, o desfecho jurídico foi diferente. O corpo de jurados desclassificou a acusação de homicídio doloso para a modalidade culposa (sem intenção de matar) e a condenou por tortura por omissão. Ela recebeu uma pena de um ano e quatro meses de detenção, porém, como o tempo em que permaneceu presa preventivamente já superou essa marca, a punição foi considerada extinta. 

A juíza Elizabeth Louro aplicou o instituto do perdão judicial a Monique, argumentando que a ré já foi severamente punida pelo sofrimento da perda. A magistrada ainda criticou a reação da opinião pública, classificando-a como preconceituosa e baseada em uma cobrança cultural por uma maternidade idealizada. A juíza também mencionou o suposto linchamento virtual sofrido por Monique e os episódios de violência que ela enfrentou dentro da prisão, apontando uma perseguição descontrolada contra a sua reputação. 

Acusação vai contestar o resultado
O pai da vítima, Leniel Borel, manifestou-se publicamente informando que pretende contestar judicialmente o veredito concedido a Monique. Em nota, ele garantiu que acionará o Ministério Público e sua equipe jurídica para tentar reverter a absolvição. 

O advogado assistente de acusação, Cristiano Medina da Rocha, criticou a condução do encerramento dos trabalhos, alegando que o Conselho de Sentença havia tomado uma decisão igual para ambos os réus inicialmente. Segundo o defensor, os jurados votaram de maneira idêntica, mas a magistrada determinou uma nova rodada de votação, o que motivou a indignação da acusação e a decisão de recorrer do veredito dado à mãe de Henry.

*Com informações da Agência Brasil.

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