
O sistema de pagamentos Pix, criado pelo BC (Banco Central), passou a ser alvo de críticas do governo dos Estados Unidos. Em relatório divulgado pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), o país acusa o Brasil de favorecer o modelo em detrimento de empresas estrangeiras do setor financeiro.
Segundo o documento, políticas adotadas pelo Banco Central garantiriam vantagens ao Pix que não seriam oferecidas a concorrentes como as bandeiras Visa e Mastercard e ao serviço WhatsApp Pay.
A investigação foi iniciada durante o governo do presidente Donald Trump e integra uma análise sobre práticas comerciais consideradas desleais.
Governo dos EUA aponta desequilíbrio
O USTR afirma que o Banco Central atua simultaneamente como regulador e operador do sistema, o que, na avaliação do órgão, pode gerar conflito de interesses.
O relatório também critica a exigência de participação no sistema por instituições financeiras maiores e a obrigatoriedade de destaque ao Pix em aplicativos bancários.
Para o governo norte-americano, essas medidas favorecem o sistema brasileiro e dificultam a atuação de empresas estrangeiras no mercado de pagamentos.
Especialista contesta avaliação
O professor do Instituto de Economia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Pedro Paulo Zahluth Bastos, discorda das críticas. Segundo ele, o Pix se consolidou por oferecer um serviço público gratuito e eficiente, ampliando a concorrência no setor. “O Pix não impede a operação dos cartões. Ele compete oferecendo um serviço público que funciona e é gratuito”, afirmou.
Para o economista, a reação dos Estados Unidos está relacionada à perda de espaço de empresas do setor financeiro no Brasil.
Possíveis impactos comerciais
O relatório também abre a possibilidade de adoção de medidas comerciais contra o Brasil, como tarifas adicionais sobre produtos exportados.
O governo brasileiro e as empresas envolvidas poderão apresentar manifestações até 15 de julho. Após esse prazo, os Estados Unidos poderão decidir sobre eventuais medidas.
Sistema consolidado no país
Lançado em 2020 pelo Banco Central, o Pix se tornou o principal meio de transferência financeira no Brasil, com operações instantâneas e sem custo para pessoas físicas.
O crescimento do sistema alterou o mercado de pagamentos e reduziu a dependência de meios tradicionais, como cartões de crédito e débito.





