domingo, 21 julho 2024

Filha de Cupertino será testemunha na audiência dele hoje (22), mas pediu para não ver o pai

Acusado de matar, em 2019, o namorado da filha, o ator Rafael Miguel e os pais dele, será interrogado pela primeira vez 

A informação foi confirmada pelo advogado dela, Ricardo Marinho (Foto: Divulgação)

Ainda na entrevista, ela revelou um momento em que o homem chegou a quebrar um prato de vidro em sua cabeça quando era mais nova, além de controlar as vezes em que podia sair de casa. Sobre o tempo em que Cupertino ficou foragido, ela disse não ter tido medo de ele aparecer em casa e, talvez, cometer um outro crime. “Nada me impressiona mais”.

A filha de Cupertino disse, ainda, que sente certa dificuldade em se ver digna e realmente feliz, mas passou por atendimento psicológico e está tentando, aos poucos, retomar a vida. “O trauma de tudo que foi visto e vivido, desde aquele dia, é muito mais intenso do que as pessoas imaginam. São sequelas que vou levar para vida”, revelou. Sobre o julgamento, ela afirmou esperar que a “Justiça seja feita”. Durante esses anos, segundo ela, o sentimento foi de “muita dor, mágoa e angústia”.

A informação foi confirmada pelo advogado dela, Ricardo Marinho. Segundo ele, Isabela, que era namorada de Rafael, vai colaborar com a Justiça da melhor forma. “Ela não aguenta mais essa situação, só quer que acabe logo para seguir sua vida”, disse. 

Nessa fase do processo, acompanhado de um defensor, Cupertino será interrogado, precisará explicar o que aconteceu no dia e apresentar sua defesa. À polícia, ele disse que é inocente.

O réu passará hoje por uma audiência de instrução. Este é o momento em que ele poderá se defender, junto a um advogado e as testemunhas poderão apresentar, ou não, provas contra ele. O juiz irá decidir se Cupertino vai a júri popular.

O crime

Na época em que o crime ocorreu, Isabela tinha 18 anos, e o namorado dela, o ator Rafael Miguel, 22. Ele teria ido à casa da jovem após ela ter tido uma crise de ansiedade por conta de toda a pressão do pai para que ela acabasse com o namoro.

Rafael, junto com os pais, foi à casa da família para poder conversar com Paulo Cupertino. Chegando lá, eles foram recebidos apenas pela mãe de Isabela. Cupertino chegou depois, pediu para que saíssem e atirou 13 vezes contra os três, que não resistiram.

Segundo o laudo elaborado pela Polícia Técnico-Científica de São Paulo, sete tiros atingiram Rafael, sendo um na cabeça, outro no peito, três nas costas e dois no braço esquerdo. O pai dele foi baleado quatro vezes, no peito e nos braços e a mãe levou dois tiros, no peito e no ombro.

Após assassinar a família, o homem fugiu e foi encontrado dois anos e 11 meses depois.

Cupertino estava na lista dos mais procurados da polícia de São Paulo quando foi preso em um hotel na zona sul. Ao longo de três anos, investigadores foram a mais de cem endereços e fizeram buscas até no Paraguai, sem conseguir detê-lo.

Após a prisão, Cupertino foi levado inicialmente a um centro de detenção provisória e transferido para a Penitenciária I de Presidente Venceslau.

O réu responde por triplo homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e sem dar possibilidade de defesa às vítimas.

Impacto na vida de Isabela

No momento da prisão do pai, Isabela Tibcherani, hoje com 21 anos, publicou um story no Instagram informando que soube da captura de Cupertino, disse que precisava de espaço e estava “sem condições de falar”. A jovem que, por muitos anos, sentiu culpa pela morte do namorado e dos sogros pôde, por um momento, ter uma mínima sensação de alívio com a prisão do pai.

Em entrevista ao programa Repórter Record Investigação, em 2020, Isabela revelou detalhes da infância. “É muito difícil buscar uma imagem afetiva de pai. Eu tenho muito mais lembranças dele como pessoa agressiva do que como pai.” Em uma entrevista recente, após a prisão de Cupertino, ela afirmou que não o considera mais parte da família.

Isabela teve não apenas o lado psicológico abalado, por presenciar o pai matar o namorado e os pais dele, mas também sua vida pessoal e profissional afetada. Ela conta que até hoje tem problemas para conseguir emprego por ser filha de Cupertino e pelo envolvimento no caso. Segundo ela, nenhuma empresa quer contratar uma pessoa que, apesar de capacitada, “tem a cara estampada em todos os lugares”.

Ainda na entrevista, ela revelou um momento em que o homem chegou a quebrar um prato de vidro em sua cabeça quando era mais nova, além de controlar as vezes em que podia sair de casa.

Sobre o tempo em que Cupertino ficou foragido, ela disse não ter tido medo de ele aparecer em casa e, talvez, cometer um outro crime. “Nada me impressiona mais”.

A filha de Cupertino disse, ainda, que sente certa dificuldade em se ver digna e realmente feliz, mas passou por atendimento psicológico e está tentando, aos poucos, retomar a vida. “O trauma de tudo que foi visto e vivido, desde aquele dia, é muito mais intenso do que as pessoas imaginam. São sequelas que vou levar para vida”, revelou.

Sobre o julgamento, ela afirmou esperar que a “Justiça seja feita”. Durante esses anos, segundo ela, o sentimento foi de “muita dor, mágoa e angústia”.

Com informações G1.

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