domingo, 6 setembro 2026

Fuga de convocação de Putin se agrava e vira crise na Rússia

Filas quilométricas de russos saindo do país são registradas diariamente  

SAÍDA | Filas de veículos com russos fugindo do país são registradas todos os dias (Foto: Reprodução)

O governo de Vladimir Putin completa nesta terça-feira (27) os referendos para a anexação de quatro regiões que a Rússia ocupa parcialmente na Ucrânia, invadida em fevereiro por Moscou. A formalização da absorção pode ocorrer ainda nesta semana. Enquanto isso, o Kremlin lida com uma escalada na crise doméstica decorrente da decisão de Putin de mobilizar até 300 mil reservistas para reverter a maré negativa na Guerra da Ucrânia, onde viu Kiev recuperar terreno em uma contraofensiva surpresa neste mês.

Em um movimento crescente, a revolta inicialmente contida a setores de classe média que podem pagar por uma passagem aérea internacional está se tornando uma crise humanitária. Nesta terça, o governo aliado de Moscou no Cazaquistão disse que 98 mil russos já cruzaram a fronteira desde a mobilização, decretada no dia 21. O país não exige visto de russos, facilitando o trânsito. O mesmo ocorre na Geórgia, que segundo Ministério do Interior passou a receber agora 10 mil russos por dia -eram de 5.000 a 6.000 no início da crise, mas o governo, que é mais pró-Ocidente, não especificou quantos eram antes.

Imagens de satélite da empresa americana Maxar mostram filas de carros no sinuoso passo de montanha que liga a Rússia ao encrave separatista russo da Ossétia do Sul, separado numa guerra com a Geórgia em 2008. Também há filas na fronteira da Mongólia. O nó da questão são os termos da mobilização, com regras variáveis de lugar para lugar. Assim, reservistas que foram soldados com mais do que os 35 anos estipulados pelo governo como limite estão sendo convocados, assim como pessoas com problemas de saúde.

O problema é mais grave nas regiões mais remotas e pobres do país, como a Buriácia (Sibéria) ou a Calmíquia (sul do país), segundo relatos de ativistas em redes sociais. Nos centros urbanos mais desenvolvidos, como Khabarovsk (Sibéria), Moscou e São Petersburgo, a classe média lidera a insatisfação -houve cerca de 2.400 prisões de manifestantes desde o anúncio.

O Kremlin passou recibo e, na segunda (26), disse que estava trabalhando para corrigir erros de autoridades locais. O porta- -voz Dmitri Peskov disse que a ideia de fechar fronteiras não estava sendo considerada, mas não a descartou por completo.

Nesta terça, o Ministério da Defesa afirmou que não irá buscar o retorno forçado de quem fugiu para vizinhos, buscando acalmar os ânimos. O reforço de tropas visa sanar o principal problema da campanha russa, a falta de pessoal. Essa desidratação foi a causa central do fracasso em tomar Kiev no começo da guerra e para a derrota na região de Kharkiv, agora.

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