Pelo menos sete mulheres já haviam registrado queixa formal contra Gomes até a quinta-feira, espalhadas pela capital e pelo interior de São Paulo
Policiais civis da Delegacia Especializada em Investigações Criminais (DEIC) de São Bernardo do Campo prenderam na manhã da última quinta- -feira, 22, Renan Augusto Gomes, de 35 anos. Conhecido como “galã do Tinder”, ele utilizava um nome falso para atrair as vítimas em sites e aplicativos de relacionamento e depois convencê-las a lhe transferir dinheiro.
Pelo menos sete mulheres já haviam registrado queixa formal contra Gomes até a quinta-feira, espalhadas pela capital e pelo interior de São Paulo. O modus operandi do “galã” era sempre o mesmo: ele se descrevia como recém-solteiro, sem filhos e avesso a aventuras sexuais ou casuais, sempre em busca de um relacionamento estável.
Uma vez fisgada, a vítima então conhecia um engenheiro “afetuoso, atencioso e carinhoso”, que por vezes se descrevia órfão e, em outros momentos, como se não tivesse vínculos com a família. Alegando sempre estar ocupado com o trabalho, ele se infiltrava no círculo social das mulheres ao mesmo tempo em que conseguia impedir o movimento contrário. Assim, elas nunca viram ou visitaram os supostos apartamentos que ele dizia ter ora nos Jardins ora na Avenida Paulista.
“Era sempre a mesma historinha, o mesmo formato. Ele roubava um dinheiro, aplicava o golpe e sumia”, conta o delegado Miguel Ferreira da Silva, da DEIC de São Bernardo do Campo. Gomes, que tinha perfis “em todo site e aplicativo de pegação imaginável”, mudava de nome e sobrenome de acordo com o perfil e nunca passava endereço ou identidade real às vítimas, variando de nome Augusto ou Ivan e o sobrenome de acordo com a ocasião.
SEDUTOR
O primeiro golpe do “galã” de que se tem registro foi em Fernandópolis, quando ele ainda era menor de idade. Segundo a promotora Érika Pucci da Costa Leal, que atua no caso, Gomes teria seduzido a secretária de um hemocentro local e convencido a mulher a desviar R$ 30 mil do local de trabalho.
Érika se deparou com o caso quando pediu os antecedentes de Gomes após receber a denúncia de uma de suas vítimas em São Bernardo do Campo. “Então apurei que, de fato, o que ela relatava era uma prática constante dele.” Além do relato recebido pelos delegados de Fernandópolis, ela encontrou boletins de ocorrência que começavam ainda em 2012.
O pedido de dinheiro para as vítimas sempre variava, mas seguia algumas constantes.





