
O cenário de mobilização estudantil nas universidades públicas paulistas atingiu um novo ápice de tensão na segunda semana de maio de 2026. O movimento, que inicialmente se concentrava na USP (Universidade de São Paulo), ganhou contornos estaduais com a adesão de estudantes da Unicamp e da Unesp à paralisação.
Demandas estudantis
Na USP, o conflito tornou-se crítico a partir de quinta-feira (7), quando alunos ocuparam o prédio da reitoria no campus do Butantã. A ação foi motivada pela interrupção unilateral das negociações por parte da administração central, após os estudantes considerarem insuficientes as propostas para a política de permanência estudantil.
Entre as queixas centrais estão o estado de insalubridade do CRUSP (Conjunto Residencial da USP), com relatos de mofo e falta de água, e a precariedade dos restaurantes universitários. As divergências financeiras alimentaram o descontentamento, uma vez que a reitoria ofereceu reajustes nos auxílios permanentes que os alunos classificam como irrisórios frente ao custo de vida atual.
Os manifestantes apontam um contraste entre o orçamento de cerca de R$ 9 bilhões da universidade e a aprovação de bonificações vultosas para o corpo docente, enquanto as demandas por melhorias nas refeições e moradia seguem sem atendimento pleno.
Posicionamento da gestão
Por outro lado, a gestão da USP lamentou a ocupação, classificando-a como uma escalada de violência com danos ao patrimônio, alegando que já havia dedicado cerca de 20 horas ao diálogo em reuniões anteriores. Intervenção policial e desocupação no Butantã.
Ação da PM
A ocupação do saguão da reitoria da USP terminou na madrugada de domingo (10), com uma operação da Polícia Militar que contou com cerca de 50 agentes. A ação resultou em versões conflitantes sobre o uso da força.
Enquanto a corporação afirmou que não houve feridos e que o procedimento visava garantir a integridade do patrimônio público, o Diretório Central dos Estudantes informou que seis pessoas foram feridas e levadas para atendimento médico devido ao uso de bombas de efeito moral, gás lacrimogênio e cassetetes.
No balanço oficial da polícia, foram registrados danos como portões derrubados e móveis avariados, além da apreensão de objetos cortantes e entorpecentes no local. Após a retirada dos manifestantes, quatro pessoas foram conduzidas ao distrito policial para registro de ocorrência e liberadas em seguida.
Apesar da desocupação do prédio principal no campus Butantã, o clima de instabilidade persistiu, com o policiamento permanecendo na área para evitar novas tentativas de invasão, enquanto o movimento estudantil ganhava força com o apoio formal de outras instituições estaduais.
Expansão da greve
O início da semana seguinte foi marcado pela unificação das pautas. Na segunda-feira (11), estudantes da USP, Unesp e Unicamp realizaram um ato conjunto na região central de São Paulo, próximo à reitoria da Unesp.
Com a adesão das três universidades à paralisação, os manifestantes passaram a cobrar maior apoio do governo estadual e melhores condições de permanência estudantil em todo o sistema paulista. A manifestação pretendia acompanhar uma reunião entre as reitorias, professores e funcionários, mas o conselho responsável desmarcou o encontro por receio de novas invasões.
Confronto político
O clima de protesto foi interrompido por um confronto generalizado envolvendo vereadores do partido União Brasil, que compareceram ao local e provocaram os estudantes. O episódio resultou em agressões mútuas; parlamentares relataram ferimentos e ataques físicos, enquanto estudantes afirmaram que a confusão começou após agressões iniciadas pelos próprios políticos e pedestres. A Polícia Militar interveio para conter a briga e o ato seguiu após o tumulto.
Mesmo diante das pressões políticas e da desocupação dos prédios administrativos, os estudantes das três universidades decidiram pela continuidade da greve, que já se estende por quase um mês.
*Com informações da Agência Brasil.





