
A confirmação de três mortes por hantavírus a bordo de um navio de cruzeiro ancorado em Cabo Verde mobilizou a OMS (Organização Mundial da Saúde) para uma investigação detalhada sobre a dinâmica de contágio da doença.
Transmissão em cruzeiro
O caso ganhou atenção especial devido à suspeita de que tenha ocorrido transmissão direta entre seres humanos, uma forma de propagação considerada incomum para esse tipo de vírus, que geralmente é transmitido por roedores.
A hipótese levantada pela entidade baseia-se no extenso período de incubação do hantavírus, que pode durar de uma a seis semanas. Especialistas da organização explicam que, embora a infecção inicial possa ter ocorrido fora do navio, a proximidade física entre os passageiros durante a viagem sugere que o vírus pode ter passado de uma pessoa para outra em situações de contato muito estreito.
Casos identificados
Até o momento, o balanço aponta para sete casos identificados, resultando em três mortes, um paciente em estado crítico e outros três com sintomas leves.
Entre as vítimas fatais está uma turista holandesa de 69 anos, que apresentou problemas gastrointestinais ao desembarcar na ilha de Santa Helena. Ela faleceu após ser transferida para um hospital em Joanesburgo, na África do Sul.
O marido dela, de 70 anos, também não resistiu à infecção e morreu enquanto ainda estava na embarcação. Diante do óbito da passageira após o voo para a África do Sul, a OMS iniciou um processo de rastreamento para localizar todas as pessoas que compartilharam a aeronave com ela, visando conter possíveis novos focos da doença.
Próximo destino
Atualmente, parte dos pacientes infectados permanece no cruzeiro, enquanto outros já deixaram o local. O destino previsto para a embarcação são as Ilhas Canárias, onde as autoridades espanholas planejam realizar uma varredura epidemiológica completa.
O procedimento previsto inclui a desinfecção total do navio e uma avaliação rigorosa do risco para quem continua a bordo. No entanto, o governo da Espanha mantém a cautela e ainda avalia se concederá a permissão final para que o cruzeiro atraque em seu território, dependendo da evolução do cenário sanitário e das garantias de segurança.





