sábado, 27 junho 2026

Oito são presos em ação contra maior milícia do Rio

Operação ocorre três semanas após assassinato de ex-vereador miliciano

INVESTIGAÇÃO | Policial federal durante a operação deflagrada nesta quinta-feira (Foto: José Lucena/TheNews2/Folhapress)

O Ministério Público do Rio de Janeiro e a Polícia Federal cumpriram na manhã desta quinta-feira (25) mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes da milícia chefiada por Luís Antônio da Silva Braga, o Zinho, que atua na zona oeste da capital e também na Baixada Fluminense. A operação acontece três semanas após o assassinato do ex-vereador Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho, suspeito de integrar o grupo miliciano Liga da Justiça. Ele foi morto com dois tiros de fuzil, na barriga e na perna, quando passava em uma estrada de Campo Grande, na zona oeste do Rio.

Até a publicação da reportagem, o Gaeco (Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado) e o Gise/Facções (Grupo de Investigações Sensíveis) tinham prendido oito pessoas. Ao todo, 23 mandados de prisão temporária foram expedidos pela 1ª Vara Especializada de Combate ao Crime Organizado do Rio e estão sendo cumpridos por cerca de 120 agentes federais.

Entre os presos está Geovane da Silva Mota, o GG, encontrado em um hotel de luxo na cidade de Gramado (RS). Ele é apontado pelo Ministério Público como membro do primeiro escalão da milícia e o segundo na hierarquia, abaixo de Zinho. O grupo criminoso também é acusado de cometer assassinatos contra bandidos rivais, da milícia comandada por Danilo Dias, o Tandera. O Ministério Público afirma que as provas colhidas durante a investigação “evidenciam uma matança generalizada”.

Os investigadores detectaram que o bando de Zinho, considerada a maior milícia do Rio de Janeiro, praticava a vigilância de pessoas que deveriam ser mortas por colaborar com os inimigos ou atrapalhar as atividades criminosas. A estrutura contava com um setor de inteligência, no qual milicianos faziam levantamentos de dados pessoais dos alvos.

Para a Promotoria, o grupo de milicianos tem como “pilar para o seu funcionamento e manutenção a destruição dos integrantes da milícia rival e de quaisquer pessoas que possam auxiliar os seus inimigos”. Outra frente investigada é um suposto esquema de extorsão, posse e porte de armas de fogo de uso restrito, como fuzis, comércio ilegal de armas e corrupção ativa de agentes de forças de segurança.

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