
Um em cada quatro brasileiros desconhece que o câncer pode ser prevenido. O dado faz parte do relatório “Mais Dados Mais Saúde – Percepções da população brasileira sobre fatores de risco para o câncer”, divulgado nesta quarta-feira (3).
O levantamento mostra que, embora a maioria da população reconheça riscos como o tabagismo e a exposição excessiva ao sol, ainda existe pouco conhecimento sobre fatores relacionados ao estilo de vida, como sedentarismo, obesidade e consumo de alimentos ultraprocessados.
A pesquisa ouviu 6,5 mil pessoas em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. O estudo foi realizado pelas organizações Umane e Vital Strategies, com apoio do Instituto Devive e parceria técnica do Inca (Instituto Nacional de Câncer).
Segundo o Inca, o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, volume 10,9% superior ao observado no período anterior.
Sedentarismo e obesidade ainda são pouco associados ao câncer
O estudo mostra que apenas 48,3% dos brasileiros reconhecem a falta de atividade física como fator de risco para o desenvolvimento da doença.
O índice também é reduzido quando o tema é obesidade. Apenas 54,1% dos entrevistados relacionam o excesso de peso ao aumento das chances de desenvolver câncer.
Outros hábitos ainda pouco associados à doença incluem o consumo de bebidas adoçadas, a baixa ingestão de frutas e verduras e o consumo frequente de alimentos ultraprocessados.
Já a carne vermelha foi apontada como fator de risco por apenas 27,5% dos participantes.
Tabagismo lidera percepção entre os brasileiros
O cigarro continua sendo o fator de risco mais conhecido pela população. Segundo a pesquisa, 90,5% dos entrevistados afirmaram saber que fumar pode causar câncer.
A herança genética foi citada por 89,4% dos participantes, enquanto a exposição excessiva ao sol apareceu em 88,3% das respostas.
Para a chefe da Divisão de Pesquisa Populacional do Inca, Luciana Grucci Moreira, o reconhecimento do tabagismo como fator de risco é resultado de décadas de campanhas educativas e políticas públicas voltadas ao combate ao cigarro.
Segundo ela, estratégias semelhantes podem contribuir para ampliar o conhecimento da população sobre outros fatores associados ao desenvolvimento da doença.
Jovens lideram consumo de produtos associados ao risco
O relatório também analisou hábitos da população brasileira.
Os jovens de até 24 anos aparecem como o grupo que mais consome alimentos ultraprocessados, bebidas adoçadas, embutidos e carne vermelha, sem demonstrar intenção de reduzir o consumo desses produtos.
Quando o assunto é álcool, substância associada a pelo menos oito tipos de câncer, metade dos brasileiros afirmou não consumir bebidas alcoólicas. Entre os mais jovens, porém, o percentual daqueles que bebem e não pretendem reduzir o consumo é superior ao registrado em outras faixas etárias.
Aleitamento materno é pouco reconhecido como proteção
Outro dado destacado pelos pesquisadores foi o desconhecimento sobre os benefícios da amamentação.
Quatro em cada dez entrevistados não sabiam que o aleitamento materno ajuda a reduzir o risco de câncer de mama nas mulheres.
Para os especialistas, os resultados podem auxiliar na elaboração de campanhas de conscientização e políticas públicas voltadas à prevenção da doença.
O Inca destacou que o acesso à informação, aliado a medidas que facilitem escolhas mais saudáveis, é fundamental para reduzir fatores de risco e prevenir novos casos de câncer.
*Com informações da Agência Brasil





