domingo, 6 setembro 2026

Putin ordena mobilização e ameaça com guerra nuclear

Presidente russo vai usar 300 mil reservistas na guerra contra a Ucrânia  

DECLARAÇÃO | O presidente da Rússia, Vladimir Putin, que diz não estar blefando

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, determinou pela primeira vez a mobilização de até 300 mil reservistas para lutar na Guerra da Ucrânia, uma protelada admissão de que sua campanha de 210 dias para subjugar o vizinho fracassou em seus objetivos -não derrubou o governo de Volodimir Zelenski e sofreu reveses recentes.

Em pronunciamento pré-gravado na TV na manhã desta quarta (madrugada no Brasil), o russo disse também que irá proteger as populações de território ocupados que pretende anexar após referendos a serem feitos em quatro regiões ucranianas no leste e no sul do país a partir de sexta (23). E que está disposto fazer isso com armas nucleares contra os EUA e aliados que apoiam Kiev.

Segundo o presidente, a Rússia enfrenta 1.000 km de linhas de frente contra o Ocidente na Ucrânia –uma referência ao fato de que os EUA e aliados forneceram bilhões de dólares em armas e inteligência a Kiev. “Na sua política agressiva antirrussa, o Ocidente cruzou todas as linhas”, disse Putin.

“Eu gostaria de relembrar eles que nosso país também tem vários meios de destruição, e em alguns casos eles são mais modernos do que aqueles de países da Otan. Quando a integridade de nosso país é ameaçada, é claro que que nós iremos usar todos os meios à nossa disposição para proteger a Rússia e seu povo. Isto não é um blefe.” 

BIDEN 

O presidente dos EUA, Joe Biden, reagiu à fala de Putin e renovou as acusações contra a Rússia em seu discurso na Assembleia-Geral da ONU nesta quarta-feira. 

O americano disse que Moscou rompeu princípios da Carta das Nações Unidas, documento fundador da entidade. E, embora não tenha chegado a pedir a expulsão do país do Conselho de Segurança -o mais poderoso colegiado do organismo multilateral-, afirmou que a Rússia desrespeita um dos tópicos fundamentais da carta, que impede países-membros de ameaçarem ou usarem a força contra a integridade territorial ou independência política de outras nações.

“Essa guerra busca a extinção do direito de a Ucrânia existir como um Estado, pura e simplesmente”, declarou o democrata. “O mundo precisa ver esses atos absurdos pelo que são. Se as nações puderem exercer suas ambições imperiais sem que haja consequências, então colocamos em risco tudo o que esta instituição representa.”

Biden ainda afirmou que a única coisa que impede hoje o fim da Guerra da Ucrânia é a própria Rússia.

Já o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, pediu paz em pronunciamento exibido na Assembleia-Geral da ONU. “Foi cometido um crime contra a Ucrânia e exigimos uma punição justa”, disse ele, em fala gravada e transmitida por vídeo, descrevendo a morte e a destruição que “a Rússia provocou com sua guerra ilegal”.

Em inglês, Zelenski expôs o que ele disse serem cinco condições inegociáveis para a paz, dentre as quais punição pela agressão russa, restauração da segurança da Ucrânia, e integridade territorial e garantias de segurança. Zelensky pediu a criação de um tribunal especial da ONU para punir a Rússia.

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