domingo, 6 setembro 2026

Risco de recessão global faz Ibovespa tombar 2,06%

 Petrobras sofreu forte queda, de 7%, com perspectiva de baixa no petróleo

BAIXA | Tensão nos mercados globais provocou queda na Bolsa de Valores em SP (Foto: Divulgação)

A cautela em torno da economia global se impôs ao câmbio e à Bolsa nesta última sessão da semana, após descolamento em certos trechos do período, antes e mesmo depois do evento mais aguardado do intervalo, a decisão sobre juros nos Estados Unidos, na quarta-feira. Nesta sexta, o Ibovespa fechou em baixa de 2,06%, aos 111.716,00 pontos, após ter encerrado o dia anterior em alta de 1,91%, aos 114 mil pontos, no maior nível desde abril. Mais do que devolvendo a alta de quinta-feira, a retração desta sexta-feira foi a maior desde o último dia 13 (-2,30%). Ainda assim, a referência da B3 conserva ganho de 2,23% na semana, após perda de 2,69% na anterior. No mês, sobe 2,00% e, no ano, 6,58%. O giro financeiro foi a R$ 35,2 bilhões na sessão.

“As autoridades monetárias têm elevado o tom no combate à inflação e o custo, para isso, é o de bolsas em queda e atividade econômica mais fraca”, observa em nota a Guide Investimentos, destacando nesta sexta-feira as leituras preliminares sobre os índices de atividade na Europa neste mês de setembro. “A avaliação para a economia europeia é extremamente negativa. Além de contar com pressões de custo devido à crise energética, o controle da inflação pelo BCE (Banco Central Europeu) dificilmente conseguirá evitar um ‘hard landing’ (pouso forçado da economia).”

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, afirmou nesta sexta-feira que a instituição está determinada a usar suas ferramentas para lidar com o que ele definiu como o “novo normal da economia americana” “Continuamos a lidar com uma situação econômica excepcional, à medida que os formuladores de políticas estão comprometidos em usar todas as ferramentas para ver a economia superar esse período desafiador”, destacou, em discurso de abertura em evento.

CAUTELA 
A cautela quanto ao ritmo de atividade nas maiores economias pressionou o petróleo nesta última sessão da semana, afetando diretamente o desempenho do Ibovespa, com perdas superiores a 6% tanto para Petrobras ON (-7,06%) como para a PN (-6,26%) no fechamento. Mesmo com avanço de 1,34% para o minério de ferro em Dalian, na China, Vale ON (-2,07%) e as siderúrgicas (CSN ON -1,16%, Usiminas PNA -2,31%) não escaparam do sinal negativo na sessão, assim como outro setor de grande peso no índice, o financeiro (Itaú PN -1,97%, Bradesco ON -2,07%). Prevaleceu na sessão “a interpretação de que a recessão mundial diminuirá a demanda global pelas commodities – o mesmo cenário se desenhou para minério de ferro e siderurgia, setores que caíram em média 2,5%”, aponta Gabriel Felix, especialista em renda variável da Blue3. 

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