Vítima foi agredida com chutes e socos e está com várias sequelas físicas e emocionais. Ela só conseguiu fugir e buscar ajuda, porque marido achou que ela estivesse morta e voltou a dormir
Uma professora de 30 anos fingiu estar morta para que o marido parasse de agredi-la em Jacareí (SP). A vítima registrou o caso na Polícia Civil, que investiga o crime e procura pelo homem, que fugiu após as agressões. A Justiça concedeu a ela uma medida protetiva, mas a mulher afirma que teme novas agressões.
A vítima, que pediu para não ter o nome divulgado, conta que o crime aconteceu no dia 4 de setembro, no bairro Jardim Maria Amélia. Ela estava em casa com o filho de sete anos e o marido, com quem é casada há 10 anos, quando o homem acordou desnorteado e a agrediu.
“Ele acordou fora de si, estava fazendo xixi no guarda-roupa e eu só falei pra ele ir ao banheiro. Quando eu disse isso, ele ficou violento e começou com as agressões, me dando socos e chutes no rosto”, contou.
Ainda segundo a vítima, ela pediu diversas vezes para ele parar com os golpes e tentou fugir dele, mas não conseguiu. “Eu tentei tirar ele de cima de mim, mas não conseguia. Ele me jogou no chão e me espancou, esmurrando meu rosto e minha cabeça sem parar. O tempo todo ele falava que iria me matar e não parava com as agressões”, narrou.
Sem conseguir se defender e temendo não sobreviver, a mulher decidiu fingir que estava morta, para ver se o homem parava com os ataques.
“Eu prendi a respiração e fiquei sem me mexer, só recebendo os socos. Ele achou que eu tivesse morrido, então parou com as agressões e foi para o quarto voltar a dormir. Quando percebi que ele realmente estava dormindo, com muito esforço consegui me levantar do chão e pedir ajuda para os vizinhos”, disse.
Marcas da violência
A professora afirma que uma vizinha a levou até o hospital e a ajudou a resgatar o filho que estava em casa e presenciou toda a agressão. No hospital, ela ficou internada por um dia e mesmo recebendo alta, mais de 15 dias depois do ocorrido ainda está com sequelas físicas e emocionais deixadas pela violência.“Ele quebrou meu nariz, meu rosto ficou tão inchado que eu não conseguia abrir os olhos, perdi toda a sensibilidade do lado direito do meu rosto porque ele rompeu meu nervo. Hoje ainda tenho hematomas, muitas dores no corpo, estou com o rosto inchado e os meus olhos estão com os vasos sanguíneos estourados”, contou.
A vítima registrou boletim de ocorrência contra o agressor. Ela conta questiona ainda o caso ter sido registrado como lesão corporal e não tentativa de feminicídio.
“Se eu não tivesse me fingido de morta, eu não estaria viva. Ele só parou de me espancar, porque tinha certeza que eu tinha morrido. Foi uma clara tentativa de feminicídio. Registrar isso como lesão corporal além de uma injustiça, é ser incoerente comigo, com a verdade, com a gravidade do acontecido”, afirmou.
Via G1




