Ação integra série de medidas de prefeitura e estado para barrar doença
A Prefeitura de São Paulo e o governo estadual paulista anunciaram medidas para enfrentar o surto de varíola dos macacos: os planos incluem a preparação de maternidades para atender grávidas infectadas e orientações a professores para identificar casos suspeitos entre crianças. Até ontem haviam sido registradas no Estado 1.298 infecções – a maioria na Grande São Paulo.
A doença é mais comum em homens gays e bissexuais (97% dos casos), mas o governo pondera que outros grupos também podem se infectar, entre eles pessoas com risco de agravamento, como gestantes, crianças de até 8 anos e pessoas com deficiência imunológica (imunossuprimidos).
“Pode acontecer com todo mundo”, disse o secretário estadual de Ciência, Pesquisa e Desenvolvimento em Saúde, David Uip, em evento sobre o plano de combate à doença no Estado. Para ele, a prevalência da doença entre homens que fazem sexo com outros homens é “transitória”. “Daqui a pouco, todos estarão passíveis de contaminação”, afirmou Uip. No Estado, há cinco crianças de até 9 anos e cinco adolescentes infectados, em isolamento, além de duas grávidas. Ontem, os Estados Unidos decretaram que o vírus é uma emergência em saúde pública, como fez a Organização Mundial da Saúde (OMS) no dia 25.
TRANSMISSÃO
A varíola dos macacos é transmitida por contato com as lesões na pele, fluidos corporais, gotículas e materiais contaminados. A letalidade, de modo geral, é baixa e as características de transmissão e demanda hospitalar são bastante diferentes da covid-19. No Brasil, foi registrada na semana passada a 1ª morte, de um paciente que estava em tratamento contra câncer.
Secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn pondera que o surto deve ter mais impacto ao atendimento em unidades básicas de saúde do que em leitos de internação – ontem, havia dois internados no Estado. Ainda assim, disse, é preciso coordenar esforços para diagnóstico e atendimento.
O governo definiu 93 hospitais estaduais e maternidades de referência para casos mais graves com necessidade de internação, leitos de isolamento ou UTIs. Em relação às maternidades, o plano prevê acompanhar gestantes infectadas e indicação para que façam o parto em uma unidade de saúde de alto risco. Além disso, a recomendação geral para o parto de infectadas será a cesárea.
Grávidas infectadas podem ter parto normal caso não haja lesões na região vulvovaginal ou perianal (em torno do ânus). A ideia é evitar a transmissão para o recém-nascido. “Deixamos 56 maternidades no Estado preparadas para as pacientes”, disse Gorinchteyn. A recomendação também é de suspender o aleitamento materno por 14 dias, caso a mãe esteja infectada. Ainda não há clareza se a transmissão ocorre pelo leite materno. “A orientação é manter (o bebê) afastado da mãe (infectada) para evitar o contato”.





