quinta-feira, 2 julho 2026

Tragédia de Brumadinho completa mais um aniversário sem o julgamento dos responsáveis

272 vítimas morreram na tragédia que mudou a história da cidade 

A cidade de Brumadinho (MG) completa neste sábado (17/12) mais um aniversário sem que os responsáveis pela tragédia, ocorrida em 2019, sejam julgados pelas 272 vítimas fatais do rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão. Os rastros da tragédia ainda podem ser vistos na cidade que foi emancipada como município de Brumadinho pelo decreto estadual nº 148 de 1938. São 84 anos de uma história marcada pela ruptura da barragem que completará quatro anos, em 25 de janeiro de 2023, e que é considerada a maior tragédia trabalhista da América Latina.

Para a Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão (AVABRUM), a comemoração dos 84 anos de Brumadinho ocorre em meio à luta da entidade para que o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeite uma manobra jurídica de réus do processo criminal que poderá levar à impunidade.

No último dia 9/12, em um julgamento virtual da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro do STF André Mendonça decidiu mudar seu voto e manifestar-se a favor da manobra jurídica para que a ação penal seja julgada pela Justiça Federal, contrariando o voto do relator do caso no STF, ministro Edson Fachin. Em junho, Fachin havia devolvido a ação para a Justiça do Estado de Minas Gerais, conforme defende o Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MP-MG), a AVABRUM e a assessoria jurídica da Região Episcopal Nossa Senhora do Rosário (RENSER), que auxilia as vítimas e atingidos pela tragédia.

Com o voto de Mendonça, houve empate na votação virtual da Segunda Turma do STF. Além de Fachin, o ministro Gilmar Mendes votou para que o processo criminal tramite na Justiça do Estado de Minas Gerais, enquanto os ministros André Mendonça e Nunes Marques manifestaram-se a favor de que o julgamento da ação ocorra na Justiça Federal. O ministro Ricardo Lewandowski não votou por declarar-se impedido. Portanto, a votação está em 2×2, sendo necessária a definição do ministro do STF que desempatará o placar. O julgamento virtual estava previsto para ser encerrado nesta sexta-feira, 16/12.

Após saber do resultado, a vice-presidente da AVABRUM, Andresa Rocha Rodrigues, manifestou a indignação da associação com o voto de Mendonça. “Mesmo com tantas provas da tragédia que já constam no processo em trâmite na Justiça do Estado de Minas Gerais, o ministro não atende o clamor das famílias e volta atrás no voto que tinha dado em outubro, aumentando o nosso sofrimento. Este é um voto de injustiça”, disse Andresa ao tomar conhecimento da decisão do ministro. Segundo Andresa, o clamor da AVABRUM é para que Gilmar Mendes mantenha o seu voto, permitindo, assim, a esperança de que a justiça seja feita.

O processo criminal começou a tramitar na Justiça mineira em fevereiro de 2020 com o acolhimento da denúncia do MP-MG contra 16 pessoas por homicídio qualificado por 270 vezes (270 pessoas mortas). A denúncia também abrangeu a Vale e a subsidiária no Brasil da empresa de consultoria alemã Tüv Süd, responsável por atestar a segurança da barragem que se rompeu.

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