segunda-feira, 22 junho 2026

Vacina da Pfizer tem mais de 90% de eficácia em resultados preliminares

A vacina contra Covid-19 da farmacêutica norte-americana Pfizer, em parceria com a alemã BioNTech, apresentou mais de 90% de eficácia na análise preliminar dos testes de fase 3, conforme divulgou a própria empresa nesta segunda-feira (9).

Os resultados ainda são parciais e não correspondem à conclusão do ensaio clínico mas à análise interina, feita quando há um número suficiente de casos da doença em um dos braços do estudo – de intervenção ou que recebeu placebo -, realizada por um comitê externo à companhia, e apontou uma eficácia elevada da vacina em proteger contra a Covid-19.

Com 94 casos de Covid-19 confirmados em um universo de mais de 43 mil participantes, o comitê científico pôde avaliar a eficácia preliminar da vacina que se mostrou também segura, sem a ocorrência de efeitos adversos sérios.

A vacina da Pfizer, chamada de BNT162b2, utiliza a tecnologia de mRNA (o material genético do vírus) para induzir resposta imune no organismo. Em fases anteriores de estudo, a vacina, administrada em duas doses, estimulou a produção elevada de anticorpos após 28 dias de aplicação.

O presidente e CEO da Pfizer Albert Bourla falou em “grande dia para a ciência e humanidade”. “O primeiro compilado de resultados do nosso ensaio clínico de fase 3 para a vacina da Covid-19 indicou evidência inicial de que a nossa vacina previne contra a Covid-19.”

Os resultados parciais apresentados indicam que o imunizante foi capaz de prevenir a infecção, não apenas proteger contra o quadro agravado da doença, um fator importante para garantir o fim da cadeia de transmissão do vírus e impedir a ocorrência de casos nos indivíduos vacinados.

A farmacêutica irá continuar o ensaio de fase 3 até a ocorrência de 164 casos confirmados de Covid-19 dentre os participantes do estudo.

Bourla afirmou ainda que irá submeter para aprovação ao FDA (órgão que regulamenta medicamentos nos Estados Unidos) o uso emergencial da vacina no país até o final do mês, após a obtenção dos resultados dos últimos dois meses de estudo da vacina. A Pfizer pretende produzir 50 milhões de doses até o final de 2020, com capacidade para produzir 1,3 bilhão até o final de 2021.

Corrida tem 11 vacinas em estágio avançado de testes

A vacina da Pfizer é uma das 11 mais avançadas na corrida por vacina contra a Covid-19. Dentre as vacinas em última fase de estudos – a terceira fase, quando são avaliados milhares de pessoas –, a Pfizer é a primeira a apresentar resultados interinos da sua candidata à vacina, o que pode colocar a farmacêutica americana à frente das concorrentes.

As outras vacinas atualmente em fase 3 são a da Universidade de Oxford/ AstraZeneca, cuja produção no Brasil será em parceria com a Fiocruz; a da empresa chinesa Sinovac, produzida no Brasil em parceria com o Instituto Butantan; a da farmacêutica Johnson & Johnson, que retomou os testes na Bélgica e nos Estados Unidos após a ocorrência de um efeito adverso desconhecido em um dos voluntários; e a da americana Moderna, em parceria com o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos.

Outras vacinas em fase 3 são a Sputnik V e EpiVacCorona, desenvolvidas por institutos de pesquisa da Rússia, que receberam aprovação para uso limitado no país mesmo sem a divulgação dos resultados de fases inicias de testes em humanos; e as desenvolvidas pelas estatais chinesas Sinopharm e CanSino, também aprovadas no país asiático para uso limitado na população e cujos resultados de fases 1 e 2 pouco se sabe até o momento.

A última vacina a entrar na terceira fase de estudos recentemente foi a Novavax, que utiliza fragmentos de proteínas do vírus em sua composição.

Governo russo diz que vacina ‘Sputnik V’ também tem mais de 90% de eficácia

O governo russo declarou que a vacina “Sputnik V”, produzida pelo Instituto Gamaleya com apoio do Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF, na sigla em inglês), também tem mais de 90% de eficácia contra a Covid-19. O anúncio foi feito horas depois de a farmacêutica norte-americana Pfizer divulgar resultados preliminares sobre a eficácia de sua imunização.

À agência de notícias Reuters em Moscou, Oksana Drapkina, diretor de pesquisa do Instituto Gamaleya, ligado ao Ministério da Saúde da Rússia, comunicou que a Sputnik V também teve comprovação de eficácia elevada nos indivíduos que receberam a vacina no país.

A diferença é que esses resultados se referem à população imunizada, e não a um estudo com voluntários e grupo controle para comparação.

“Com base em nossas observações, sua efetividade também é de mais de 90%. O surgimento de outra vacina com eficácia é uma boa notícia para todo mundo”, disse Drapkina.

Diferentemente de um ensaio clínico duplo-cego, randomizado e controlado (considerando padrão ouro porque divide as pessoas em diferentes grupos de forma aleatória e não permite saber quais participantes receberam a vacina e quais receberam o placebo, diminuindo viés e as chances de a relação causal ser coincidência), a imunização de população saudável, como foi autorizado na Rússia no dia 11 de agosto, não garante a evidência científica para comprovar eficácia.

Em ensaios clínicos rigorosos de medicamentos ou vacinas, na terceira e última fase do estudo são feitos testes com milhares de voluntários saudáveis para avaliar a eficácia da vacina ou do medicamento.

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