Mais de um mês depois de a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) multar a Goodyear em R$ 115,2 mil por despejos de graxa e óleo no Córrego Bertini, em Americana, o local segue com indícios de poluição. É o que apontam vídeos obtidos pela reportagem da TV TODODIA.
Além da multa, confirmada em 1º de abril deste ano, a empresa foi obrigada a recuperar e a limpar a área, medida que deveria ser comprovada em até 30 dias. Porém, o líder do grupo Amigos pela Natureza, Thiago Garcia, registrou, nesta terça-feira (26), que a água continua turva e as pedras seguem manchadas na mesma região, entre os bairros Jaguari e Nova Carioba.
Procurada, a Cetesb relatou que realizará uma nova vistoria no local, sem especificar a data.

Histórico
A entidade pontuou ainda que, em 5 de maio, a Goodyear encaminhou um relatório com as medidas corretivas adotadas após o lançamento irregular.
Segundo o documento da empresa, foram realizadas ações emergenciais de limpeza, mas ainda permanecem resíduos pontuais no curso d’água, que seguem em avaliação técnica para a despoluição completa da área.
Em nota enviada três dias após a publicação desta matéria, a Goodyear citou “condições naturais” como justificativa para a poluição no córrego.
Leia a íntegra:
“Compreendemos as preocupações levantadas e as tratamos com a máxima seriedade. A proteção ao meio ambiente e a atuação responsável nas comunidades onde vivemos e operamos são nossas prioridades. Adotamos medidas imediatas, incluindo a implementação de ações adicionais de contenção, a realização de limpeza e a definição de um plano de monitoramento contínuo para prevenir a recorrência. Seguimos trabalhando em estreita colaboração com a CETESB ao longo de todo o processo. Essas medidas têm se mostrado eficazes, e o cenário observado atualmente reflete uma combinação de condições naturais — como sedimentos e profundidade da água — em um curso d’água que recebe contribuições de múltiplas fontes. Reiteramos nosso compromisso com a responsabilidade ambiental, o cumprimento de todas as exigências regulatórias e a transparência junto às autoridades e à comunidade“.
A Prefeitura de Americana foi procurada, mas não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto.
Entenda o caso
A denúncia inicial foi feita pelo grupo Amigos pela Natureza. O primeiro indício foi identificado em 22 de março, Dia Mundial da Água, durante uma ação de limpeza no local, quando o grupo encontrou uma cachoeira com grande quantidade de resíduo químico.
A reportagem da TV TODODIA esteve no ponto em 29 de março e constatou a situação: uma crosta escura, de aspecto pastoso, acumulada às margens da queda d’água que deságua no Rio Piracicaba.
*Atualizado em 31/05, às 18h48





