sábado, 30 maio 2026
ACOLHIMENTO E SUPERAÇÃO

Após perder filha em acidente, mãe cria grupo de apoio ao luto em Americana

Iniciativa oferece acolhimento emocional a famílias e terá encontros gratuitos com acompanhamento profissional
Por
Cristiani Azanha

Após perder a filha em um acidente de trânsito em Americana, a moradora Jéssica Mayara Moraes criou o grupo “Restitui”, voltado ao acolhimento de pessoas que enfrentam o luto. A iniciativa surgiu meses após a morte de Lídia Moraes Aguiar, de 15 anos, vítima de uma colisão registrada na madrugada de 17 de fevereiro.

Outra adolescente, Maria Eduarda de Souza Almeida, também de 15 anos, morreu após dar entrada no hospital.

Acidente após bloco de Carnaval
O acidente aconteceu na Rua Igaratá, no Jardim Ipiranga, nas proximidades da loja Bandini. Segundo informações do caso, o grupo retornava de um bloco de Carnaval em Santa Bárbara d’Oeste quando o carro bateu contra um poste.

Sete pessoas estavam no veículo, conduzido por um homem de 40 anos, pai de uma das adolescentes. Além das duas mortes, outras vítimas ficaram feridas, sendo que uma delas precisou passar por cirurgia.

Dor e recomeço
Meses após a tragédia, Jéssica relata as dificuldades enfrentadas com a perda da filha, enquanto segue cuidando das outras duas crianças. “Passar o primeiro Dia das Mães sem a Lídia foi a pior dor que eu já vivi. Ao mesmo tempo, eu precisei continuar sendo forte pelas minhas outras duas filhas, de dois e quatro anos. Tem dias em que parece impossível seguir, mas eu entendi que falar sobre a dor e dividir isso com outras pessoas ajuda a gente a respirar de novo”, afirmou.

A experiência motivou a criação do grupo, com o objetivo de oferecer um espaço de escuta e compartilhamento.

Vítimas fatais Lídia e Maria Eduarda eram amigas inseparáveis. Foto: Reprodução/Álbum de família

Acolhimento com apoio profissional
O grupo “Restitui” contará com acompanhamento da psicóloga Rúbia Fuganholi e terá como foco o apoio emocional e a ressignificação do luto. “Eu percebi que muitas pessoas sofrem caladas. Às vezes falta alguém para ouvir, para abraçar ou simplesmente entender a dor. O grupo nasceu porque eu também precisava disso e quero que outras mães, pais e famílias saibam que não estão sozinhos”, disse Jéssica.

Investigação continua
O caso segue sob investigação. As famílias pedem o indiciamento do motorista por homicídio com dolo eventual, quando há entendimento de que o condutor assume o risco de matar.

Segundo relatos apresentados pela defesa das famílias, o veículo estaria em alta velocidade e realizando manobras perigosas antes da colisão.

Familiares e amigos continuam promovendo manifestações por justiça em Americana. Em uma das homenagens, Jéssica relembrou a relação entre as duas adolescentes. “Mesmo machucada, todas as vezes que a Lídia abria os olhos ela perguntava da Maria Eduarda. Elas eram amigas desde pequenas. Eu acredito que a ligação delas era muito forte.”

Como participar
A primeira reunião do grupo será realizada no dia 6 de junho, às 13h, no Centro Comunitário São Luiz, localizado na Rua Francisco de Campos Filho, 225, em Americana. O encontro também contará com a participação da psicanalista Flávia Vaughn.

A participação é gratuita e aberta ao público. Informações podem ser obtidas pelo telefone e WhatsApp (19) 98985-1500.

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