segunda-feira, 23 março 2026
POSSE RESPONSÁVEL

Câmara de Sumaré aprova multa de até R$ 6,2 mil para tutores de pitbulls caso o cão ataque pessoas ou animais

Proposta foi votada em regime de urgência após série de ataques registrados na cidade e na região; valor dobra em caso de reincidência
Por
Vagner Salustiano

Os tutores de cães da raça pitbull (ou de cruzamentos dela) cujos cães atacarem pessoas ou outros animais em Sumaré poderão ser multados em R$ 6.272,00. O valor dobra em caso de reincidência. A medida foi aprovada nesta terça-feira (4) pela Câmara Municipal e segue agora para análise e possível sanção do prefeito Henrique do Paraíso (Republicanos).

A proposta, votada em regime de urgência, é de autoria dos vereadores Alan Leal (PRD), Pereirinha (Cidadania) e Wellington Souza (PT). O projeto foi aprovado por unanimidade.

Se sancionada, regra vai valer tanto para animais da raça quanto cruzamentos. Foto: Vagner Salustiano/TV TODODIA

Tragédias recentes motivaram o projeto
O tema ganhou força após uma série de ataques registrados na cidade e na região. No dia 22 de outubro, um cão pitbull matou outro cachorro de pequeno porte em uma rua de Sumaré, depois de ser deixado solto pelo tutor. O caso, filmado e divulgado nas redes sociais, causou grande repercussão e está sendo investigado pela Polícia Civil.

Em julho, uma menina de dois anos morreu em Hortolândia após ser atacada por um cão da mesma raça dentro de casa. A criança chegou a ser socorrida à UPA do Jardim Amanda, mas não resistiu aos ferimentos. A polícia precisou arrombar o portão e abater o animal para conter o ataque.

Na época, especialistas ouvidos pela TV TODODIA destacaram que a responsabilidade é sempre dos tutores e que o comportamento agressivo é resultado direto da forma como o animal é criado e conduzido.

Alan Leal é dos dos três vereadores autores da proposta aprovada. Foto: Vagner Salustiano/TV TODODIA

Multa, responsabilização e reabilitação obrigatória
O projeto aprovado cria penalidades administrativas para os tutores dos cães agressores. Além da multa, o tutor deverá arcar com os custos da apreensão do animal e com o tratamento da vítima, seja pessoa ou outro animal.

O texto prevê ainda que o dono será obrigado a submeter o cão a um programa de reabilitação e adestramento comportamental, custeado integralmente por ele. O animal só poderá ser liberado após o pagamento das despesas e a comprovação do início do tratamento.

Em casos de reincidência grave — como uma terceira agressão ou um ataque com morte —, a prefeitura poderá retirar definitivamente a guarda do animal e encaminhá-lo a um abrigo especializado.

A fiscalização ficará a cargo do Departamento de Bem-Estar Animal, do Departamento de Zoonoses e da Guarda Municipal, que deverão comunicar as ocorrências à polícia.

Uso de focinheira por animais de raças consideradas perigosas já é obrigatório no Estado. Foto: Divulgação

Justificativa dos autores
Na justificativa do projeto, os vereadores afirmam que o poder público precisa agir “de forma preventiva e repressiva” diante do aumento dos ataques. “Além da multa, a obrigatoriedade de comunicação imediata à autoridade policial garante que o caso não se restrinja à esfera administrativa, mas também seja investigado quanto a possíveis infrações penais”, diz o texto.

Os parlamentares defendem que a perda da guarda em casos reincidentes é uma medida de proteção à população e de garantia de tratamento adequado ao animal.

Focinheira é obrigatória por lei estadual
A legislação paulista já determina medidas de segurança para cães de raças consideradas potencialmente perigosas. A Lei Estadual nº 11.531/2003 obriga o uso de coleira, guia e focinheira em vias públicas, praças e parques.

Entre as raças citadas estão pitbull, rottweiler, mastim napolitano, american staffordshire terrier e cruzamentos semelhantes.

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