
Campinas receberá um data center de alta capacidade voltado ao processamento de aplicações de inteligência artificial, com investimento inicial de aproximadamente R$ 5 bilhões. O valor poderá chegar a R$ 20 bilhões nas diferentes fases de implantação, com previsão de geração de cerca de 3,6 mil empregos diretos e indiretos.
O anúncio foi feito na quinta-feira (20), durante uma cerimônia realizada na Fazenda Pau D’Alho, em Barão Geraldo. O local escolhido para o evento tem quase dois séculos de história e já esteve ligado aos ciclos da cana-de-açúcar e do café em Campinas.
Data center será construído em Barão Geraldo
O empreendimento será implantado no PIDS (Polo de Inovação para o Desenvolvimento Sustentável), onde a Terranova foi a primeira empresa a receber incentivo fiscal.
Durante a cerimônia, também foi entregue o alvará que autoriza o início das obras. O Campus Campinas ocupará uma área de aproximadamente 944 mil metros quadrados, sendo cerca de 115 mil metros quadrados destinados à área construída.
A estrutura será voltada a operações de alta capacidade de processamento, atendendo principalmente à demanda por infraestrutura para inteligência artificial e outros serviços digitais.
Estrutura poderá chegar a 1 GW
O campus terá uma subestação com capacidade inicial de 300 MW, com possibilidade de expansão para até 1 GW.
Na primeira fase, estão previstos 216 MW de capacidade de TI (tecnologia da informação). O projeto também reserva áreas para futuras expansões, que podem elevar essa capacidade para 386 MW.
A implantação será realizada em diferentes etapas, com previsão de expansão da estrutura até 2029.
Projeto prevê redução no uso de água
A Terranova anunciou a utilização de tecnologia de resfriamento líquido em circuito fechado. Segundo a empresa, o sistema reduz o uso de água na refrigeração dos equipamentos e também contribui para a eficiência energética da operação.
Do total da área do empreendimento, aproximadamente 285 mil metros quadrados serão preservados como áreas verdes ou destinados ao município.
O projeto prevê ainda infraestrutura urbana, como vias públicas e sistemas de tratamento de água e esgoto.
Fazenda Pau D’Alho
A Fazenda Pau D’Alho surgiu a partir do desmembramento de uma sesmaria concedida em 1788. No fim do século XVIII, a propriedade funcionava como engenho de cana-de-açúcar e, décadas depois, tornou-se uma importante produtora de café.
Além da história ligada à produção agrícola, a fazenda reúne construções históricas, jardins, uma capela e antigas senzalas.
Em 2004, a propriedade passou por uma reforma e recebeu uma edição da Casa Cor Campinas. A partir de 2010, também começou a receber visitas de escolas, com atividades voltadas à história da fazenda, às construções e à ecologia.
A propriedade passou posteriormente a ser utilizada para eventos.
Investimento pode movimentar setor de tecnologia
A expectativa da administração municipal é que o empreendimento gere efeitos além dos empregos diretamente ligados ao data center, com aumento da demanda por fornecedores, serviços e profissionais especializados.
O projeto prevê parcerias com universidades, centros de pesquisa e instituições de capacitação da região para formar profissionais voltados às áreas de tecnologia.
Segundo a Prefeitura de Campinas, a instalação do campus reforça a posição da cidade como polo de ciência, tecnologia e inovação.
A implantação do data center será feita em diferentes fases, com expansão da estrutura prevista até 2029.





