quinta-feira, 18 junho 2026
RECORRENTE

Hospital da PUC-Campinas volta a registrar superlotação e opera com ocupação 415% acima da capacidade

Unidade pede que novos pacientes do SUS sejam encaminhados para outros serviços; situação se repete pela sexta vez desde o início de 2025
Por
Guilherme Pierangeli
Hospital PUC-Campinas anunciou estar superlotado nesta quarta-feira – Foto: Divulgação/Hospital PUC-Campinas

O Hospital da PUC-Campinas voltou a registrar superlotação no Pronto-Socorro Adulto do Sistema Único de Saúde (SUS) e informou nesta quarta-feira (17) que opera com ocupação 415% acima da capacidade instalada. Diante do cenário, a instituição solicitou à Regulação Municipal que avalie o direcionamento de novos pacientes para outras unidades de saúde da rede.

Segundo o hospital, a unidade enfrenta uma demanda acima da capacidade de atendimento. Atualmente, há 19 pacientes que necessitam de cuidados intensivos e outros 44 acomodados em macas nos corredores, aguardando leitos e assistência especializada.

Em nota, a direção informou que não há condições seguras para receber novos encaminhamentos pelo SUS neste momento e pediu apoio da imprensa para orientar a população a buscar outras unidades da rede pública de saúde.

Pacientes em corredores
De acordo com a nota divulgada pelo hospital, a unidade opera acima da capacidade instalada, o que tem levado pacientes a permanecerem em macas nos corredores enquanto aguardam vagas para internação ou transferência.

Situação tem se repetido
O alerta emitido pelo Hospital da PUC-Campinas não é um caso isolado. Episódios semelhantes já haviam sido registrados em março, e maio deste ano. Em 2025, esta é pelo menos a terceira vez que a instituição comunica oficialmente situações de superlotação no pronto-socorro.

O cenário também foi registrado em março, maio e junho de 2024, evidenciando um problema recorrente relacionado à alta demanda por atendimentos de urgência e emergência na região.

A instituição informou ainda que o objetivo da solicitação feita à Regulação Municipal é garantir a continuidade da assistência e preservar a segurança dos pacientes já atendidos na unidade.

Rede de urgência
A superlotação ocorre em um período de aumento na procura por atendimentos relacionados a doenças respiratórias e outras complicações de saúde que costumam pressionar a rede hospitalar durante os meses mais frios do ano.

Até o momento, a Prefeitura de Campinas não havia se manifestado sobre a solicitação de redirecionamento de pacientes.

Posicionamento da Prefeitura de Campinas
Procurada, a Prefeitura de Campinas se manifestou por meio da seguinte nota:

A Prefeitura de Campinas informa que a rede Hospital São Leopoldo Mandic foi considerada habilitada para contratação em um chamamento público da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo que vai disponibilizar até 100 leitos do SUS para a cidade. A habilitação foi publicada no Diário Oficial do Estado do último dia 8 de junho.

O prefeito Dário Saadi, que é presidente do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Campinas, pediu ao governo estadual urgência no andamento para assegurar a ampliação de leitos hospitalares no município.

Além disso, o Hospital Metropolitano será construído pelo Estado em área doada pela Prefeitura de Campinas. O edital da licitação para a obra foi lançado pelo governo estadual em abril.

Reuniões para discutir medidas
A Regulação Municipal tem se reunido com o Hospital da PUC, Rede Mário Gatti e Samu, além de manter diálogo com a Regulação Estadual, para discutir medidas para minimizar o problema da alta demanda.

A Secretaria de Saúde de Campinas acompanha continuamente a ocupação dos leitos por meio da Regulação, que é responsável por monitorar as vagas disponíveis e direcionar os pacientes conforme a necessidade. Com isso, são viabilizadas transferências entre as unidades de acordo com a complexidade dos pacientes e a capacidade de cada hospital.

Também entrou em contato com o Estado para pedir a redução no encaminhamento de pacientes de outras cidades para os serviços municipais.

Na Rede Mário Gatti de Urgência, Emergência e Hospitalar, nenhum paciente que precisa de internação fica sem assistência. A ocupação dos leitos é variável, devido à alta rotatividade entre internações e altas hospitalares. Diariamente, em média, cerca de 30 pacientes recebem alta e outros 30 são admitidos em cada hospital municipal. A ocupação das unidades está entre 95% e 100%, mas todos os pacientes são atendidos, já que elas operam em sistema de “porta aberta”.

Vale destacar que Campinas é referência de urgência e emergência para a Região Metropolitana de Campinas. Historicamente, entre 20% e 25% dos pacientes atendidos pelo SUS Municipal vêm de outras cidades da região. Esses atendimentos chegam a 35% nas unidades conveniadas que possuem leitos neonatais.

Além disso, com as quedas nas temperaturas, há um aumento nos atendimentos de casos relacionados a infartos, AVCIs e doenças respiratórias.

Aumento na estrutura e investimentos
Quando o prefeito Dário Saadi assumiu seu primeiro mandato, em 2021, Campinas tinha 885 leitos, se forem considerados todos os tipos de estruturas disponíveis por meio de convênios da Saúde com hospitais privados e na Rede Mário Gatti. Atualmente, são mais de 1 mil vagas.

A Prefeitura de Campinas aplicou R$ 2,28 bilhões na área de saúde no ano de 2025. Os recursos municipais representaram 71,27% do valor direcionado para a área de saúde ao longo do ano. O percentual aplicado foi de 24,83% das receitas de impostos do Município, acima do mínimo de 15% estipulado pela Constituição Federal e de 17% previsto pela Lei Orgânica de Campinas no período.

Inaugurações
Desde 2021, dez novas unidades de saúde foram inauguradas – Hospital Pediátrico Mário Gattinho, Hospital da Mulher, Centro de Referência de Diagnóstico em Oncologia (CDO), Centro de Exames e Especialidades Médicas (CEEM), Centro de Especialidades Odontológicas Noroeste, CS Guanabara, CS Campina Grande, CS Boa Esperança, CS Sirius Cosmos e CS São Vicente. Além disso, os Caps AD Sudoeste e Caps I Roda Viva passaram a funcionar 24h.

Também desde 2021, foram realizadas 89 reformas de grande porte nas unidades da rede. Outras 2 obras de ampliação (CSS Parque Valença e Tancredão) estão em andamento. Em breve, será iniciada a ampliação do CS Ipê.

Mais unidades
Estão previstas outras oito novas unidades: CS Jambeiro, CS 31 de março, CAPS 3 Sul (em andamento), nova sede do CS Village (em andamento), nova sede do CS Boa Esperança (em andamento), CS Myriam (desenvolvimento de projeto), Central Municipal de Esterilização (em andamento) e Centro de Especialidade Odontológica Norte (em andamento).

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