segunda-feira, 11 maio 2026
PROBLEMAS NA ÁGUA

Agência reguladora desmente Prefeitura de Hortolândia em nota sobre qualidade da água; reclamações persistem

Órgãos públicos divergem sobre resultado de relatório técnico sobre potabilidade da água tratada e distribuída pela Sabesp
Por
Vagner Salustiano
Problemas teriam acontecido em abril na própria água do Rio Jaguari, mas não afetou potabilidade, segundo Sabesp. Foto: Cetesb

A situação da água tratada em Hortolândia gerou um desmentido oficial da Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) no domingo (10). O órgão, responsável pela fiscalização dos serviços de saneamento sob concessão no Estado, negou ter afirmado que a água de Hortolândia e Paulínia seria imprópria para consumo humano.

Desde 18 de abril, moradores de Hortolândia vêm relatando recebimento de água com alteração de cor, odor e “sabor de mofo”. O problema foi admitido pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), que atribuiu a situação à concentração de material orgânico na captação de água no Rio Jaguari, em Paulínia. Segundo a concessionária, os episódios ocorreram nos dias 18 e 24 de abril.

A empresa informou ter adotado medidas como o uso de carvão ativado no tratamento e sustentou que a situação já teria sido resolvida. Mesmo assim, moradores seguem relatando problemas com a água.

Nota da Prefeitura fala em água “incompatível”
O novo episódio de informações conflitantes começou após nota oficial divulgada pela Prefeitura de Hortolândia na sexta-feira (8).

Segundo a administração municipal, “técnicos da Agência Reguladora (…) identificaram gosto e odor incompatíveis com os padrões adequados ao consumo humano em uma fiscalização realizada no dia 24 de abril de 2026, nas estações de tratamento de água administradas pela Sabesp e localizadas nas cidades de Hortolândia e Paulínia”.

A gestão também afirmou que a equipe da Agência apontou em relatório que, “apesar de não terem sido apresentados, até o momento da fiscalização, laudos laboratoriais conclusivos sobre a origem dos problemas, foi possível constatar de forma recorrente a presença de alterações sensoriais na água produzida”.

Arsesp nega afirmações
Na postagem publicada no domingo, no entanto, a Arsesp afirmou ser falsa a informação de que teria declarado que a água de Hortolândia e Paulínia não é própria para consumo humano.

Segundo o órgão estadual, “os laudos e medições disponíveis não apontaram desconformidade com os padrões de potabilidade estabelecidos pela legislação vigente”.

Em nota complementar enviada à TV TODODIA nesta segunda-feira (11), a Agência esclareceu que a fiscalização realizada no dia 24 de abril nos sistemas de abastecimento de água de Hortolândia e Paulínia não apresentou conclusão definitiva sobre a ocorrência registrada na região, tendo sido feita apenas em caráter preliminar.

A Arsesp admitiu que, naquele momento, foram observadas alterações no gosto e no odor da água na ETA (Estação de Tratamento de Água) de Hortolândia, mas informou que a amostra coletada apresentou conformidade quanto aos parâmetros de turbidez e cor.

Por fim, a Agência Reguladora afirmou que as análises laboratoriais e os relatórios técnicos seguem em andamento, reforçando que os laudos disponíveis não apontam desconformidade com os padrões de potabilidade estabelecidos pela legislação vigente. A ETA de Hortolândia também abastece Monte Mor.

Nota da Arsesp em suas redes sociais (à esquerda) atraiu reclamações de consumidores (à direita). Foto: Reprodução/Redes Sociais

Moradores mantêm reclamações
Moradores comentaram a própria nota da Arsesp nas redes sociais, reafirmando os problemas com a água tratada.

Rafael Pedrosa afirmou que “só depois que a Prefeitura de Hortolândia realizar laudos independentes, junto a uma empresa privada, é que será possível ter certeza sobre a qualidade da água”. Segundo ele, “até lá, a confiança nessa informação é zero”, porque “nos últimos dias, a água apresentou gosto e odor muito ruins, causando preocupação na população”.

Já Veridiana Pinheiro questionou a versão oficial. “Não sei como é que dizem estar tudo bem com a água se a água fede e está amarga. O cheiro e o gosto alterado e dizem que é natural? Desculpa, mas não é possível”.

Sabesp reforça segurança
A Sabesp reiterou nesta segunda-feira que a água tratada e distribuída em Hortolândia e Paulínia atende aos padrões de potabilidade e que a fiscalização técnica confirmou que a água distribuída permanece própria e segura para consumo.

A concessionária reconheceu que alterações de cheiro e gosto podem gerar desconforto e preocupação na população. Por isso, informou que adotou o uso de carvão ativado na etapa de tratamento para ampliar a remoção de compostos que possam provocar alterações sensoriais na água.

A empresa também afirmou que o monitoramento da qualidade da água é realizado de forma contínua, com análises rigorosas e acompanhamento técnico permanente. Segundo a Sabesp, desde 18 de abril, foram feitas mais de 3 mil análises de amostras de água tratada em Hortolândia, Paulínia e Monte Mor.

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