“Eu só quero que essas postagens saiam da rede para não me prejudicar cada vez mais na minha vida particular e na minha vida profissional, tá bom gente?” Com esse apelo, um motorista de aplicativo de Hortolândia procurou a Polícia Civil da cidade na quarta-feira (3) para registrar o que afirma ser uma calúnia contra ele que circula em redes sociais.
Segundo o profissional, uma passageira teria feito publicações com foto, nome e dados do veículo, alegando que ele teria tentado sedá-la durante uma viagem realizada por volta das 18h do último dia 2, utilizando um suposto “produto” espalhado dentro do carro. Ele nega veementemente a acusação. De acordo com o motorista, foi a própria esposa quem viu as postagens e o alertou, temendo pela segurança da família diante da exposição dos dados pessoais.
Em uma das postagens denunciadas, feita por uma conhecida da passageira, além da foto e das informações sobre o motorista, há relato da suposta situação ocorrida na viagem e xingamentos como “lixo humano” e “pilantra”, além da frase “vagabundo tinha que levar um pau”.
Motorista registra boletim de ocorrência e divulga vídeo
Além do boletim de ocorrência por calúnia e difamação registrado na Polícia Civil de Hortolândia, o motorista gravou um vídeo em suas redes sociais para apresentar sua versão dos fatos. No material, ele nega as acusações e afirma temer pela própria integridade física depois da repercussão do caso na internet.
“Na data de ontem, dia 2 de junho, eu fiz uma viagem para uma moça, pegando ela no Nova Hortolândia para levar ela no Nova América. No caminho, viagem normal, eu estava subindo a Emancipação ali, depois eu passei depois eu passei da Magneti Marelli, eu fui entrar no Santa Rita para pegar a ponte para ir em sentido ao Nova América. Na hora que eu parei no semáforo, ali naquele semáforo em frente à Maravilhas do Lar, a moça simplesmente falou, ‘moço, vou ficar aqui, vou descer aqui eu ando ali pra trás’. Falei, ‘certeza?’, ela ‘sim’. E ela desceu do carro como se estivesse com medo de alguma coisa”, relatou.

Profissional nega acusações e diz entender medo de passageiras
O motorista reforça que não tentou atacar a passageira. “Hoje, fui trabalhar, levantei para trabalhar normal, por volta da hora do almoço minha esposa me ligou que algumas amigas dela tinham ligado para ela porque tinha uma postagem com o meu nome, a minha placa, o meu carro a minha foto, rodando na internet, que eu joguei um produto no carro para tentar ‘sedar’ essa moça, essa moça fez a postagem. Jamais eu faria isso é. Eu fiz um boletim de ocorrência o boletim, sai como calúnia, realmente ela estava me caluniando”, afirmou.
Ele diz compreender o receio de mulheres em viagens por aplicativo, mas afirma que se sente prejudicado pelas publicações. “Porém, eu entendo o lado dela, de ter medo, sabe, dessas situações, uma mulher dentro de um carro de motorista de aplicativo, por tantas coisas que vêm acontecendo. Mas ela tinha que pensar o outro lado, né, o pai de família, o trabalhador, a pessoa que depende única e exclusivamente disso, porque hoje o aplicativo é 100% da minha renda, eu não faço outra coisa. Eu saí do meu trabalho de quase 10 anos para fazer o aplicativo, e hoje eu me sinto impedido por essa postagem”, disse.
Segundo o motorista, a divulgação das acusações impactou sua rotina e sua possibilidade de seguir trabalhando. “Tem a minha segurança, tem a minha índole, que ela colocou em jogo, sabe, tem umas certas situações, tem o aplicativo mesmo que me bloqueia, então eu não consigo trabalhar. Eu estou sendo mal visto, e é umas certas situações que englobam”, completou.
Produtos de limpeza podem ter provocado mal-entendido, diz motorista
O profissional atribui o possível mal-entendido aos produtos de limpeza e aromatizantes que utiliza no interior do carro ao longo do dia, para manter o veículo limpo e evitar reclamações de passageiros. “Eu entendo ela, dela ter sentido algum cheiro no carro. Vou explicar a situação do cheiro do carro, e ela ficou com medo ok. Esses são os dois cheiros que eu carrego no carro, essa aqui é uma essência de chá verde, realmente ele tem um cheirinho um pouquinho mais ardido. E aqui é desinfetante, amaciante de roupa com água”, explicou.
De acordo com ele, os produtos são usados rotineiramente durante o trabalho. “Como eu sou motorista de aplicativo o dia inteiro, eu tenho que toda hora estar olhando o carro, se o carro está limpo, se o carro não está com mau cheiro. O que que eu faço, eu ando com um aspiradorzinho, eu paro passo o aspirador no carro, no carpete, para o passageiro, o próximo passageiro que entrar, ver o carro limpo para mim não ter notas baixas, para não ter reclamação no aplicativo e eu ser cortado do aplicativo”, afirmou.
“Enfim, provavelmente eu fiz isso antes, não lembro se eu fiz ou não, provavelmente sim, porque ela falou que sentiu o cheiro, e deve ser o cheiro disso. Eu paro, limpo o carro, jogo um cheirinho, porque é muito perfume, pessoas suadas, pessoas com odor, final de trabalho e é normal – e é normal. Então eu limpo, passo um cheirinho para ficar ok. Provavelmente ela sentiu esse cheiro e acabou acontecendo o que aconteceu”, completou.
Atualmente, toda a renda do motorista vem do trabalho por aplicativo, iniciado em fevereiro. Desde a repercussão do caso, ele afirma estar impedido de atuar e relata medo de ser reconhecido e abordado como agressor. Por isso, procurou a Polícia Civil, a Polícia Militar e a Guarda Municipal de Hortolândia, na tentativa de reduzir o risco de confusões durante abordagens.
Motorista pede retirada das postagens e se dispõe a conversar
No vídeo publicado nas redes sociais, o motorista se coloca à disposição para conversar com a passageira e insiste no pedido para que as publicações sejam apagadas, a fim de que possa retomar sua rotina.
“Então, assim, eu peço sabe, que esse vídeo seja compartilhado o máximo possível para chegar até ela, para ela entender o que aconteceu, que jamais eu faria isso. Eu sou casado, estou com a minha esposa há 25 anos, tenho filhos. Trabalho, hoje eu estou no aplicativo, 100% no aplicativo, então a minha renda depende disso. Não estou querendo brigar, não estou querendo fazer nada, só peço que ela se retrate, porque acaba me prejudicando”, disse.
“Sou cristão, independentemente de eu ser cristão ou não, não faria isso, jamais eu faria isso. Minha esposa anda de Uber também, e os meus filhos também andam, então não tem sentido, não tem cabimento algum. Peço encarecidamente para quem está repostando essa postagem, se você der alguém postando, pede para tirar, porque é mentira, não é verdade, não aconteceu isso, em hipótese alguma eu faria uma coisa dessa”, completou o profissional.
A reportagem da TV TODODIA não conseguiu localizar os contatos da passageira mencionada nas publicações. O espaço permanece à disposição para manifestação.





