De um lado, Elias Gardin Detoleto, 64 anos, desempregado há cinco meses, e que necessita de um trabalho urgente para sobreviver e ajudar a esposa que também está desempregada. De outro, Júlia Nascimento, 18 anos, em busca do primeiro emprego. Duas gerações completamente diferentes, mas enfrentando o mesmo drama: o desemprego.
Elias e Júlia foram dois dos milhares de candidatos que ontem enfrentam filas gigantes na busca por uma das 219 vagas de trabalho oferecidas no processo de seleção do Supermercado Crema – que deve ser inaugurado na primeira quinzena de outubro, em Americana.
Em um retrato cruel da crise que afeta todo país, o cadastramento de currículos ontem para o estabelecimento arrastou uma multidão de desempregados, que passaram horas sob o sol escaldante, enfrentando fila em busca do sonho da recolocação no mercado. Até o final da tarde, mais de 4 mil pessoas tinham se cadastrado e mais de 500 permaneciam na fila.
Muitos passaram a madrugada na fila, que chegou a dobrar a esquina da avenida Paulista momentos antes de os portões serem abertos, às 8h. O supermercado será instalado na avenida Nossa Senhora de Fátima, próximo à Fidam.
Segundo David Ribeiro, gerente de unidade do Crema, e um dos cinco responsáveis pela seleção dos novos funcionários, a procura ontem superou todas as expectativas da rede, que possui duas unidades em Santa Bárbara D’Oeste.
Há algumas semanas, uma primeira triagem com cadastro de currículos já havia sido feita por meio do “Emprega FAM”, da Faculdade de Americana. No evento, cerca de 5 mil pessoas se inscreveram, preenchendo 70% das 219 vagas. Os outros 30% de vagas restantes serão escolhidas a partir dos candidatos inscritos ontem.
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O gerente ressaltou que serão geradas outras 100 vagas indiretas, nas lojas que serão instaladas dentro do supermercado, como lotérica, pet shop, restaurante, cosméticos, dentre outras. “Quem não for chamado para uma vaga dentro do mercado poderá ser reaproveitado em uma destas lojinhas”.
O perfil do funcionário que buscam é variado, segundo Ribeiro. “É importante ressaltar que todas as pessoas que vieram até aqui hoje (ontem) terão chance de serem chamadas. O importante é mostrar força de vontade para entrar na equipe”, explicou Ribeiro.
DINHEIRO EXTRA
Em meio a tantos desempregados na fila, teve também quem aproveitou o dia para faturar. Com o forte calor durante todo o dia em Americana, o estudante Jonatas Faria, 24 anos, aproveitou para vender água e guloseimas, como chiclete e salgadinhos. Ficou instalado estrategicamente a poucos metros do portão de entrada do mercado. Desempregado há mais de um ano, ele argumenta que essa foi a forma encontrada para ganhar um “dinheiro extra”. “Estou literalmente atirando para todos os lados para sobreviver”, disse ele.
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Andre Cia
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