O aposentado Carlos Sidnei Bechis, 71, morador do Jardim Alvorada, em Nova Odessa, aguarda há quatro anos por uma cirurgia no quadril pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e tem na Justiça a esperança para que o procedimento que pode devolver a ele a mobilidade seja realizado ainda esse ano. O pedido de urgência para a realização da cirurgia está concluso para decisão judicial desde segunda-feira (8).
Carlos trabalhou a vida toda como servente de pedreiro, e foi a profissão que acelerou o desgaste em seu quadril. Hoje, ele tem uma perna mais curta que a outra em 4 centímetros, o que o impede de andar sozinho. Ele precisa de duas bengalas para se locomover dentro de casa e conta com o apoio da esposa e do filho.
“Precisei parar de trabalhar porque não aguentava mais. O médico quer que eu ande para não atrofiar, acabo andando 20, 30 metros e já não consigo. Estou nessas condições, pra dormir precisa de remédio. Secou a cartilagem do quadril, dói da coluna até na ponta do pé”, relatou o aposentado.
Segundo Carlos, os médicos calculam que a cirurgia necessária, que envolve a colocação de uma prótese, custaria em torno de R$ 120 mil no particular. O valor é fora de cogitação para o aposentado, já que nem mesmo plano de saúde ele consegue pagar.
“Meu salário é muito pequeno, se eu pago plano, eu não como. Contribui mais de 50 anos com o INSS, nunca usei. É um tapa na cara da gente essa situação”, afirmou.
Após três anos aguardando pela cirurgia na rede pública, em maio do ano passado, Carlos e seu filho Richard decidiram judicializar o caso e, para isso, contaram com o atendimento da ONG (Organização Não-Governamental) Brasil Mais Saúde, que presta atendimento jurídico gratuito a pacientes que não conseguem o fornecimento de serviços médicos ou medicamentos necessários no SUS.
A Justiça concedeu a liminar para que a cirurgia fosse feita em junho do ano passado, mas por conta da pandemia, o procedimento, considerado eletivo, só poderia ser feito após o pico da pandemia.
“Decidiram esperar passar o pico da pandemia, só que deu uma boa melhorada na pandemia em outubro e novembro, aí solicitamos que fosse realizada. Levantamos que o hospital estava com 30% de ocupação apenas e com ala separada para Covid. Pedimos nova tutela de urgência e estamos aguardando julgamento desde novembro”, relatou o advogado de Carlos, Fernando Vinícius Perama Costa.
A ação é movida contra o estado que, na análise do advogado, é o responsável por garantir que a cirurgia seja feita. “O estatuto do idoso garante a ele o direito à saúde, a constituição traz que todos têm direito à saúde e que é obrigação do estado realizar políticas públicas e dando acesso universal e igualitário a todos os brasileiros ao serviço de recuperação da saúde”, disse Costa.
Por meio de nota, a Prefeitura de Nova Odessa afirmou que se trata de uma cirurgia de média/alta complexidade, “que deve ser realizada realmente em um hospital estadual de referência, seguindo as regras do SUS”.
O DRS (Departamento Regional de Saúde) de Campinas informou, por meio da assessoria de imprensa, que assim que foi notificado da ação, foi agendada e realizada consulta para avaliação do caso e definição de conduta terapêutica por equipe especializada, no Hospital Estadual Sumaré. “O paciente será orientado quando os próximos passos”, informou o estado.
Também na nota, o DRS disse que “em virtude da necessidade de salvar vidas e priorizar atendimento aos casos de urgência e emergência em meio a pandemia do novo coronavírus, consultas e procedimentos eletivos (não urgentes) têm sido agendados com base em avaliação caso a caso, dependendo da orientação médica e do quadro do paciente”.




