
Na pirâmide etária do estado de São Paulo, para cada 100 mulheres idosas, há 76 homens na mesma faixa etária, de acordo com dados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), realizada pelo IBGE e divulgada na sexta-feira (17). O dado também se reflete na Região Metropolitana de Campinas, de acordo com o Censo de 2022, na área de cobertura da TV TODODIA, há 70 mil mulheres idosas a mais do que homens idosos.
A pesquisa é a principal fonte de dados sobre as características socioeconômicas no Brasil. Como o censo demográfico é realizado a cada dez anos, é a partir da PNAD que o IBGE alimenta a sociedade brasileira com informações atualizadas.
“São mais de 100 mil domicílios visitados no Brasil, levantando uma série de informações relacionadas às características dos moradores e dos domicílios. Isso nos permite avaliar as condições de vida da população e os equipamentos sociais urbanos disponíveis”, comenta o analista socioeconômico do IBGE, Jefferson Mariano.
Feminização do envelhecimento
Na área de cobertura da TV TODODIA, mais de 531 mil idosos compõem a população regional. São 301.820 mulheres e 229.248 homens, de acordo com o Censo de 2022.
Em 2025, o estado de São Paulo chegou a 46 milhões de habitantes. Pessoas com 60 anos ou mais já representam 17,6% da população, um aumento em relação aos 12,8% registrados em 2012, segundo a PNAD Contínua.
Esse avanço mostra uma mudança importante no perfil populacional. Entre os jovens de 18 anos, os homens ainda são maioria. Já entre os idosos, a situação se inverte. Esse fenômeno, conhecido como “feminização do envelhecimento”, também aparece com força nas cidades das regiões de Campinas e Piracicaba, de acordo com a professora do Departamento de Demografia do IFCH e pesquisada do Núcleo de Estudos de População, Luciana Correia Alves.
“A longevidade feminina é maior do que a dos homens. Os homens morrem mais cedo porque sofrem com mais doenças que chamamos de letais ou fatais. Por sua vez, as mulheres vivem mais e experimentam a mortalidade em idades mais avançadas. Mas, por outro lado, convivem com um maior número de doenças crônicas”, explica a professora.
Qualidade de vida
Para a pesquisadora, a longevidade deve ser construída com qualidade de vida. Atualmente, o cenário mostra que as mulheres, predominantes na população 60+, são as mais atingidas por doenças crônicas, mesmo buscando mais mecanismos de saúde do que os homens.
“Viver em uma área socioeconômica melhor permite praticar atividades físicas e ter acesso à informação e escolaridade, o que faz com que se siga de forma mais adequada as orientações de saúde. Por outro lado, quem vive em regiões de vulnerabilidade, sem saneamento básico ou coleta de lixo, está submetido a um contexto que influencia negativamente as características individuais. Isso reflete nos aspectos de saúde, com o desenvolvimento de doenças crônicas e infecciosas”, destaca Luciana.
Além das questões biológicas e de infraestrutura, o comportamento social masculino impacta as estatísticas. “Há uma mortalidade alta de homens entre 20 e 29 anos em decorrência de causas externas. Além disso, os homens adotam hábitos menos saudáveis do que as mulheres, como o consumo de álcool e tabaco, que são fatores determinantes para a mortalidade masculina”, complementa.
Desafios
De acordo com Jefferson Mariano, analista socioeconômico do IBGE, o perfil da população idosa é reflexo de vários eixos sociais, “ dados de longevidade também refletem fatores indiretos, como condições urbanas e acesso a serviços básicos. No Brasil e em São Paulo, o aumento da longevidade está diretamente ligado à melhoria desses serviços, especialmente à ampliação do acesso ao SUS e aos programas de vacinação”.
As características de envelhecimento divulgadas devem orientar agentes públicos em decisões importantes sobre a implementação de políticas setoriais, de acordo com a professora. “O envelhecimento da população traz uma preocupação muito importante, porque políticas específicas serão necessárias para garantir a qualidade de vida dessa população”, afirma a professora Luciana.





