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O lavrador vem, volta e sofre

Trabalhador rural temporário enfrenta preconceito e indisponibilidade de serviços essenciais no Interior

O fenômeno não é novo, mas pela primeira vez governantes e cientistas sociais estão unidos em um programa que estimula o acolhimento e a assistência a trabalhadores temporários do campo. 

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Eles se deslocam periodicamente aos municípios do interior paulista, à procura de trabalho no campo. Invariavelmente, são nordestinos. 

Mas, ignorados, não recebem serviços públicos básicos. Faltam escolas, creches, postos de saúde, assistência social. 

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Além disso, os migrantes são vítimas do preconceito dos próprios moradores, que olham os lavradores com desconfiança e medo. 

A migração temporária é uma realidade notada desde meados de 1970. Por conta da necessidade de mão-de-obra temporária nas roças, os trabalhadores acabam não se fixam em uma cidade específica. 

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Os “safristas” vem e voltam, a cada colheita, e sofrem para sobreviver. 

Por conta disso, nasceu o Programa de Capacitação em População, Cidades e Políticas Sociais, promovido desde 2017, com o objetivo de treinar funcionários das prefeituras, e ajudar na formulação e na execução de políticas públicas. 

Os pesquisadores do programa assumiram a missão de avaliar a situação nos municípios e desenvolver projetos. 

Eles acabam de lançar, por exemplo, um compêndio de artigos técnicos que traçam uma radiografia da situação nos núcleos interioranos. 

DEMANDAS 

Com os dados catalogados, os técnicos procuram orientar os gestores públicos no atendimento das demandas apresentadas pelos migrantes. 

O trabalho também tem o propósito de reduzir a incidência de conflitos entre migrantes e moradores de cada cidade, motivados pelo preconceito e pela desinformação. 

Os programas de capacitação desenvolvidos pelo projeto temático continuam pelas cidades do interior de São Paulo. A próxima edição será no dia 25 de novembro, na OAB de Campinas. 

LIVRO VASCULHOU A SITUAÇÃO NO CAMPO 

O compêndio de artigos técnicos se transformou no livro “População e cidades: subsídios para o planejamento local e regional”. 

A obra foi lançada no último dia 13 na sede do Núcleo de Estudos de População “Elza Berquó” (Nepo) da Unicamp. 

O livro foi organizado pela pesquisadora Rosana Baeninger (Unicamp), com textos compilados por Maria Chaves Jardim (Unesp), Giovana Gonçalves Pereira (Nepo/Unicamp) e e Lidiane Maria Maciel (Univap). 

O material reúne observações e apontamentos colhidos no campo por pesquisadores que vasculharam a situação dos migrantes temporários em todo o interior paulista. 

QUADRO 

Os gestores públicos, pesquisadores e curiosos interessados em conhecer o teor do compêndio de artigos técnicos que vasculham a situação dos trabalhadores temporários das roças do Interior do Estado de São Paulo podem acessar maiores informações que são disponibilizadas no link publicações, do endereço eletrônico www.nepo.unicamp.br 

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