segunda-feira, 27 abril 2026

O show não pode parar

Ele chega de mansinho. Coloca a caixa de som próxima do carro, conecta o saxofone e começa a tocar músicas suaves e motivacionais. Devidamente aparatado com jaleco branco e protetor facial de acrílico, transforma as ruas e praças em seus palcos. E a plateia é formada por pacientes e médicos de hospitais.

Esta foi a maneira que o musicoterapeuta Hilquias Alves, 56, encontrou de continuar esse trabalho voluntário e levar o “alimento para a alma” às pessoas doentes nos hospitais e aos profissionais de saúde.

Ele se apresentava em 22 hospitais e 15 clínicas em um raio de 60 km de Campinas, mas a pandemia do novo coronavírus mudou esta realidade. O novo coronavírus poderia se acumular no instrumento de metal e não é possível tocar com máscara, então, teve que interromper essa atividade.

Hoje não pode mais se apresentar nos corredores dos hospitais, nem nas UTIs (Unidades de Terapia Intensiva), nem nas UTIs neonatais e, muito menos, antes, durante e depois da realização de cirurgias.

Então teve a ideia de tocar na frente das unidades hospitalares. No último dia 5 foi a vez de se apresentar em Americana, na frente dos hospitais da Unimed e do São Francisco. As pessoas pararam para apreciar a apresentação e ganharam bis, por causa dos aplausos.

Normalmente, a apresentação dura de 20 a 30 minutos. A meta dele é se apresentar a cada 20 dias em Americana. Era ele sozinho com seu sax tocando.  A intenção também é levar mensagens de otimismo.

“A música é para alegrar nosso coração. É um trabalho de humanização e acalmar nosso coração através da música. A música nos eleva na presença de Jesus. Jesus é o príncipe da paz. É ele que derrama paz no nosso coração em tempo de guerra. Ele está junto conosco. Que você sinta, através da música, um toque especial, um abraço do nosso Jesus na sua vida e saber que tudo vai passar. Acalme o seu coração. Jesus, o príncipe da paz, está do seu lado”, disse o músico, no dia da apresentação em Americana.

Na semana retrasada, o músico disse ao TODODIA que sua intenção é amenizar o sofrimento dos pacientes e dos profissionais de saúde afetados na crise de saúde.

“É bem emocionante para quem está ouvindo, principalmente neste tempo de pandemia em que as pessoas estão meio tristes, inseguras, tiveram perdas de amigos, parentes. Então é um tempo de muita emoção e de muita tristeza para muita gente. E a música serve de alimento para a alma e traz um pouco de alívio. Por isso que meu projeto chama-se Manah, alimento para a alma”, disse o músico.

Residente em Valinhos, ele se apresenta na frente de hospitais distantes até um raio de 60 quilômetros de Campinas. Estão no seu roteiro outras cidades da RMC (Região Metropolitana de Campinas), como Campinas, Jaguariúna, Nova Odessa, Paulínia, Sumaré, Hortolândia e Valinhos, e também fora da região, como Mogi Mirim e Mogi Guaçu.

“Só agradeço, e todo este esforço é para que as pessoas possam sentir a presença maravilhosa de Jesus, o Príncipe da Paz e dono da vida”, ressaltou o músico.

A jornada musical de Hilquias é bem sólida. Toca instrumento há 45 anos. Mas nos últimos dez anos atua voluntariamente nos hospitais. Recebeu um chamado divino para cumprir essa missão, afirma.

Hilquias acredita que a música ajudou na recuperação dos pacientes. “Tenho ouvido vários relatos do quanto os pacientes têm se sentido muito melhor”, disse.

‘A música sempre me acalma’

Talvez Hilquias não saiba, mas no dia em que se apresentou em Americana, alegrou o dia do sócio gerente da empresa Dona Bolos, Rafael Bellan.

Ele contou que faz tratamento e saía da consulta no dia em que o músico se apresentou na frente do Hospital São Francisco. Ele gravou um vídeo, que compartilhou com a reportagem.

“A música, no estilo que ele toca, sempre me acalma e me desbloqueia na hora, pois sei o quanto a música pode curar e trazer a paz que, às vezes, não conseguia ter. E na música que nos faz chegar até a Deus sempre me traz a paz que preciso”, comentou Bellan.

O comerciante também elogiou a iniciativa do musicoterapeuta. “Achei muito bonito, pois ele não ganha valor algum e faz isso, pois, como ele fala, é um chamado que ele tem a cumprir. E ele faz por amor para trazer a paz às pessoas que estão ali sofrendo”, disse Bellan ao TODODIA.

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