domingo, 23 agosto 2026
AGOSTO LILÁS

Câmara de Paulínia promove aula de defesa pessoal para funcionárias

Atividade apresentou técnicas de reação e fuga e destacou a importância da prevenção e do treinamento contínuo diante de situações de violência
Por
Thayla Nogueira
A atividade realizada na Câmara de Paulínia integrou a programação do Agosto Lilás. Foto: Thayla Nogueira/TV TODODIA

A Câmara de Paulínia promoveu nesta semana uma atividade de defesa pessoal voltada às mulheres como parte da programação do Agosto Lilás. A iniciativa apresentou técnicas básicas de autodefesa e buscou ampliar a confiança das participantes para lidar com possíveis situações de risco.

A vivência foi conduzida pela instrutora Cássia Zarelli, especialista em defesa pessoal, e teve como público principalmente mulheres que nunca haviam realizado esse tipo de treinamento.

Técnicas para situações do cotidiano
Durante a atividade, as participantes aprenderam movimentos de reação e fuga que podem ser utilizados diante de diferentes formas de abordagem ou agressão. Entre as situações trabalhadas estavam agarrões pelos braços, puxões de cabelo, tentativas de imobilização e agressões pela frente.

Segundo Cássia, a proposta não é ensinar as mulheres a entrar em confronto, mas oferecer conhecimentos básicos que possam ajudá-las a escapar de uma situação de perigo e buscar segurança. “São movimentos básicos de autodefesa, situações do cotidiano. É aprender a dar um soco, aprender a sair de pegada de cabelo, de um esganamento pela frente”, explicou a instrutora.

A atividade também abordou situações de violência sexual. De acordo com Cássia, algumas participantes demonstram desconforto ao realizar determinados movimentos por associarem as técnicas a situações que já vivenciaram ou temem vivenciar.

Para a instrutora, o primeiro contato com a defesa pessoal pode representar um momento de descoberta e fortalecimento da confiança. “Você já vê um brilho no olhar delas que é: ‘poxa, agora eu sei o que fazer’. Então são coisas do cotidiano e pra mostrar pra elas que elas são capazes”, afirmou.

Confiança para reagir
Além da execução dos movimentos, a atividade destacou a importância de manter a calma e ter coordenação para conseguir reagir em uma situação de emergência.

Mariana Felipe, funcionária da Câmara e uma das participantes, avaliou a experiência como importante e destacou que alguns movimentos pareceram mais fáceis de executar. “Eu acho que o soco eu achei mais fácil, mas na hora tem que ter uma coordenação, um pensamento bastante… estar tranquila pra colocar tudo em prática e saber sair e se defender”, relatou.

Cássia ressalta que uma única aula não substitui um treinamento contínuo. Segundo ela, a repetição é necessária para que os movimentos sejam assimilados e possam ser executados com maior naturalidade diante de uma situação de perigo.

A instrutora afirma, no entanto, que uma atividade introdutória pode ajudar a romper uma barreira inicial e mostrar às mulheres que elas têm capacidade de reação. “A autodefesa não é violência, e sim uma noção de se defender e eu poder chegar vivo em casa”, destacou.

Procura por treinamento aumentou
De acordo com Cássia, a procura por aulas de defesa pessoal entre mulheres também tem crescido. Ela conta que uma nova turma formada neste ano chegou a 20 inscritas e precisou ser encerrada para que fosse possível manter a qualidade do acompanhamento. Na avaliação da instrutora, parte dessa procura está relacionada à percepção de insegurança diante dos casos de violência contra mulheres divulgados diariamente.

Segundo ela, muitas participantes chegam às primeiras aulas relatando medo, inclusive aquelas que nunca passaram por uma situação de violência.

Cássia também chama atenção para um aspecto que pode dificultar a saída de mulheres de relacionamentos violentos: a dependência financeira. Para ela, o acesso à informação e a mecanismos de proteção precisa estar associado a outras políticas de apoio.

Defesa pessoal como prevenção
A instrutora defende que o ensino de técnicas de autodefesa não fique restrito ao Agosto Lilás. Na avaliação dela, o acesso deveria ser ampliado para mulheres que não têm condições financeiras de pagar por treinamentos particulares. “Deveria ser uma coisa que todos tivessem acesso, que o sistema público oferecesse também. É muito importante que os órgãos públicos vejam isso e comecem a adotar políticas públicas de prevenção”, afirmou.

A atividade realizada na Câmara de Paulínia integrou a programação do Agosto Lilás, campanha voltada à conscientização, prevenção e enfrentamento da violência contra a mulher.

Para Cássia, iniciativas como essa podem servir como primeiro contato com a autodefesa e incentivar as participantes a buscar formação contínua, além de reforçar a importância de conhecer mecanismos de proteção e saber identificar situações de risco.

Receba as notícias do Todo Dia no seu e-mail
Captcha obrigatório

Veja Também

Veja Também