A visita de Fernando Haddad (PT) a Piracicaba nesta quinta-feira (2), ao lado da pré-candidata ao Senado Simone Tebet (MDB), marcou mais um movimento da pré-campanha petista para ampliar sua presença no interior paulista. Diante de militantes, lideranças políticas, empresários e apoiadores, o pré-candidato ao governo de São Paulo reforçou suas principais propostas para o estado e intensificou as críticas à gestão do governador Tarcísio de Freitas, transformando a passagem pela região em uma vitrine da estratégia que pretende adotar na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes: confrontar o modelo de privatizações, defender o fortalecimento dos serviços públicos e apresentar uma alternativa de desenvolvimento para São Paulo.
Mesmo aparecendo atrás nas pesquisas divulgadas até o momento, Haddad tenta transformar a campanha em um debate sobre os rumos da administração estadual. O ex-ministro sustenta que São Paulo precisa retomar investimentos públicos e fortalecer políticas sociais, buscando diferenciar sua plataforma daquela implementada pela atual gestão.
Privatizações no centro do debate
O principal eixo dos ataques de Haddad concentra-se na política de privatizações conduzida por Tarcísio. O petista afirma que o governador promove uma “fúria privatizante”, acusando o governo de priorizar a venda de ativos estratégicos em detrimento da qualidade dos serviços prestados à população. A privatização da Sabesp tornou-se o principal símbolo desse embate político.
Segundo Haddad, a privatização da companhia de saneamento não entregou os resultados prometidos. O pré-candidato afirma que houve aumento das reclamações dos consumidores, reajustes tarifários acima da inflação e piora na percepção da qualidade do serviço. Também questiona a forma como ocorreu a venda da empresa, alegando que o processo reduziu a concorrência e prejudicou o interesse público.
Além da Sabesp, Haddad afirma que pretende rever o modelo de gestão de serviços públicos concedidos à iniciativa privada, defendendo maior participação do estado em setores considerados estratégicos. Em seus discursos, argumenta que eficiência administrativa deve caminhar ao lado da garantia de acesso universal aos serviços essenciais.

Segurança e serviços públicos
Outro tema central da pré-campanha é a segurança pública. Haddad propõe ampliar a integração entre as polícias, investir em inteligência, tecnologia e compartilhamento de informações entre as forças de segurança. O ex-ministro afirma que o modelo atual carece de coordenação e que resultados mais consistentes dependem de gestão integrada.
Na saúde, Haddad tem defendido o fortalecimento da rede estadual em parceria com os municípios, com ampliação do atendimento especializado, redução das filas para exames e cirurgias e reforço da atenção básica. Também promete priorizar investimentos em hospitais regionais e na interiorização dos serviços de média e alta complexidade.
Interior, infraestrutura e desenvolvimento
O interior paulista ocupa posição estratégica na pré-campanha petista. Haddad afirma que muitas regiões perderam protagonismo nos investimentos estaduais e promete descentralizar ações de desenvolvimento econômico, incentivar a industrialização regional, ampliar programas de inovação e fortalecer universidades estaduais e centros tecnológicos como motores do crescimento.
O discurso do pré-candidato também inclui críticas à expansão das concessões rodoviárias e à política de pedágios. Haddad argumenta que parte da população do interior enfrenta aumento dos custos de deslocamento e defende uma revisão dos contratos para equilibrar investimentos em infraestrutura e impacto financeiro sobre trabalhadores e empresas.
Do lado do Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio responde destacando indicadores econômicos, investimentos em infraestrutura, obras de mobilidade, programas de segurança e projetos de desestatização que, segundo o governo, aumentaram a capacidade de investimento do estado. A estratégia do governador consiste em apresentar sua gestão como exemplo de eficiência administrativa e responsabilidade fiscal, enquanto rebate as críticas do adversário.
A tendência é que a polarização se intensifique nos próximos meses. Privatizações, segurança pública, saúde, infraestrutura e desenvolvimento regional despontam como os principais temas da disputa. Enquanto Haddad procura convencer o eleitorado de que São Paulo precisa mudar prioridades e ampliar o papel do estado, Tarcísio buscará defender seu legado administrativo e transformar a eleição em um referendo sobre sua gestão. Com a campanha ainda em fase inicial, ambos trabalham para ampliar alianças políticas e conquistar os eleitores indecisos que poderão definir o resultado nas urnas.





