segunda-feira, 13 julho 2026
PROTESTO

Manifestação contra a Prefeitura de Piracicaba critica tributos, aposentadorias, privatizações e segurança pública

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Por
Paulo Carlim

Um grupo de manifestantes realizou um ato pelas ruas de Piracicaba para protestar contra a atual administração municipal comandada pelo prefeito Helinho Zanatta. Durante a mobilização, os participantes afirmaram que o movimento busca questionar decisões administrativas que, segundo eles, têm provocado prejuízos à população, aos servidores públicos e aos serviços municipais.

Ao longo do protesto, foi promovida uma ação simbólica de adesivagem de veículos. Motoristas que demonstraram apoio autorizaram a fixação de adesivos com mensagens críticas à gestão. De acordo com os organizadores, a iniciativa teve como objetivo ampliar a visibilidade do movimento e incentivar o debate sobre as reivindicações apresentadas.

Manifestantes criticaram pontos da administração de Helinho Zanatta. Foto: Paulo Carlim/TV TODODIA

Críticas à segurança e à aposentadoria
O defensor de trânsito Marco Ferreira, um dos organizadores, destacou que a manifestação não tem caráter pessoal contra o prefeito. “As críticas são direcionadas ao conjunto da administração pública municipal, envolvendo também a atuação da Câmara Municipal, de empresas concessionárias e de servidores ocupantes de cargos comissionados.”

Entre as principais reclamações está a desativação de seis bases da Guarda Civil Municipal instaladas em diferentes regiões da cidade, incluindo Santa Teresinha, Mirante, Rua do Porto, Pauliceia, Raposo Tavares e Jardim Nova Colina. Na avaliação dos manifestantes, o fechamento dessas unidades enfraquece a estrutura de segurança pública e reduz a presença preventiva da corporação nos bairros.

Também foi alvo de críticas a proposta de mudanças nas regras de aposentadoria dos servidores municipais. Segundo o grupo, a administração estaria conduzindo discussões sobre alterações na previdência sem diálogo suficiente com os funcionários, o que geraria insegurança e descontentamento entre a categoria.

Tributos em alta e queixas sobre serviços
Os manifestantes ainda criticaram reajustes de tributos municipais, especialmente IPTU, ITBI e ISSQN. De acordo com representantes do movimento, houve casos em que os aumentos ultrapassaram 600%. Eles contestam a justificativa da Prefeitura de que existiria defasagem de cerca de 16 anos na Planta Genérica de Valores, alegando que houve atualização dos valores venais por legislação aprovada em 2017.

O professor André Tietz afirmou ter aderido ao protesto principalmente devido “aos diversos aumentos que o prefeito tem dado”, citando IPTU e taxa de iluminação pública. “Ele não consegue fazer um projeto social para alavancar, só quer repassar custo, despesa pro povo”, disse.

Outra reivindicação refere-se à retirada do benefício da cesta básica destinada a aposentados e pensionistas do serviço público municipal. Segundo os organizadores, a legislação em vigor desde 1992 foi revogada e substituída por nova norma, medida que, na avaliação do movimento, contraria entendimentos consolidados do Supremo Tribunal Federal e deverá ser discutida judicialmente.

Privatizações e qualidade dos serviços
O sargento PM Antonio Padovan, um dos líderes, afirmou que, ao longo de um ano e meio de governo, a população acumulou motivos de insatisfação. Entre os pontos citados estão o aumento do IPTU, mudanças na cobrança da Contribuição para Custeio da Iluminação Pública (Cosip), redução de subsídios para instituições de saúde e projetos de concessão ou privatização de equipamentos públicos.

Segundo ele, iniciativas relacionadas à administração de cemitérios públicos e projetos envolvendo o Zoológico, o Aquário Municipal e o Parque do Mirante seriam exemplos de transferência de serviços para a iniciativa privada sem o devido debate com a sociedade. Os manifestantes também questionaram outras políticas públicas, como a entrega de uniformes escolares, considerada inadequada por parte dos entrevistados.

Movimento pede diálogo com Prefeitura
Representantes do ato afirmaram que a atual gestão tem priorizado o aumento de impostos e taxas em vez de políticas voltadas ao desenvolvimento social e econômico. Na avaliação deles, a população estaria sendo chamada a arcar com novos custos sem perceber melhorias proporcionais nos serviços.

Ao final da manifestação, os organizadores defenderam a ampliação do diálogo entre Prefeitura, servidores e sociedade civil para discutir temas como segurança pública, política tributária, funcionalismo e concessões de serviços municipais. Eles também não descartam novas mobilizações caso as reivindicações não sejam debatidas pelo poder público.

A reportagem procurou a Prefeitura de Piracicaba para comentar as críticas apresentadas durante a manifestação. Até o fechamento desta edição, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação da administração municipal.

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