terça-feira, 8 setembro 2026

Preço do metro quadrado sobe 30% na pandemia

Especialista explicou que a mão de obra teve reajuste que acompanhou a inflação e valor de matérias-primas da construção civil contou com influência da desvalorização do Real

Obras | Nas 20 cidades da RMC, houve 17 mil contratações, contra 14 mil demissões (Foto: Arquivo | TodoDia Imagem)

O custo do metro quadrado na construção civil em todo o estado de São Paulo aumentou 16,8% os últimos 12 meses. Se considerado os últimos dois anos, desde o início da pandemia de Covid-19, a alta já acumula cerca de 30%.

Os dados são do Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos), do IBGE (Instituto de Geografia e Estatística), divulgados no início de fevereiro. Segundo o índice, obras que começaram em janeiro de 2021 tinham um custo de aproximadamente 1,3 mil. Já para aquelas que tiveram início em janeiro deste ano, o preço do metro quadrado chegou a R$ 1.615,19.

Para calcular o percentual de reajuste são considerados, principalmente, o valor cobrado pela mão de obra e o que é gasto com materiais para construção.

De acordo com o presidente da Fecomac (Federação dos Lojistas de Material de Construção) de São Paulo, o empresário Cássio Tucunduva, de Campinas, uma série de fatores influenciaram no aumento.

Tucunduva diz ainda que, se o conflito entre Rússia e Ucrânia, deflagrado na última terça-feira (23), persistir, é possível que o setor sofra ainda mais altas.

Ele explica que a mão de obra teve reajuste que acompanhou a inflação, cerca de 14% no acumulado dos últimos dois anos, enquanto o valor de matérias-primas essenciais na construção civil contou ainda com a influência da desvalorização do Real, aumento do valor do preço do barril de petróleo e a escassez de produtos.

“O primeiro fator é, sem dúvidas, a inflação geral. A maioria dos dissídios de salários foi de 10%, e isso fez com que a mão de obra ficasse mais cara.
Além disso, a matéria-prima sofreu muito com a desvalorização do Real. O vergalhão, por exemplo, teve reajuste em razão do aumento do preço do minério de ferro. No período pré-pandemia a tonelada do produto era comercializada a 70 dólares. Esse preço chegou a atingir 230 dólares em meados de 2020 e hoje está em 140 dólares, o dobro do que era cobrado em 2019″, explica.

No caso da mão de obra, em um ano o preço para um metro quadrado de construção passou de R$ 638,53 para R$ 695,68.

Tucunduva menciona ainda os tubos e conexões em PVC, que são derivados do petróleo e acompanharam o preço do barril do produto. A produção foi encarecida pelo reajuste nas contas de energia elétrica e o transporte do material também aumentou com o reajuste no valor dos combustíveis.
“O valor do barril de petróleo, com o conflito entre os países do Leste Europeu, já passou de 100 dólares. Se houver uma escalada, os preços vão voltar a subir. Tivemos problemas com revestimentos, tintas e isso pode voltar a acontecer”, alerta.

A alta fez com que houvesse um aumento no faturamento do setor, no entanto uma queda no volume de compras.

“A expectativa é que haja uma diminuição na pressão inflacionária. Há também um expectativa com a queda do dólar e reflexo no custo dos commodities. O ministro da Economia, Paulo Guedes, prometeu uma aceleração econômica a começar já depois do Carnaval, esperamos que o setor seja beneficiado. Tem que haver oferta de crédito para ter consumo. Quando se limita o crédito, o consumo é atingido”, diz. 

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